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Mostrando postagens com o rótulo Filme holandês

The Lobster (filme de 2015)

O preceito básico das distopias talvez seja o de causar um estranhamento profundo, mas sem distanciar o público totalmente da realidade criada. Com caráter com um quê de premonitório, elas apontam para sociedades possíveis - não se trata de ficção científica, mas da narrativa de mundos que espelham nossos defeitos em medidas exacerbadas. Em "The Lobster", filme de difícil classificação, o efeito de distanciamento relativo pouco se mantém. O enredo se apoia fortemente em recursos do gênero real maravilhoso, criando situações bastante complexas, por vezes esbarrando no inverossímil. Com um efeito muito grande de estranhamento, o espectador passa mais tempo tentando desvendar o rumo dos acontecimentos do que criando relações entre a sua realidade e a da obra. É um longa que entretém e convida a desvendar mistérios, mas que não cria vínculos o suficiente para ser lido como distopia.

O silêncio do lago (filme de 1988)

Um suspense que trabalha com alguns dos nossos maiores medos, sem mostrar uma gota de sangue - este é o plot  básico de O silêncio do lago , obra holandesa de quase 30 anos, mas ainda extremamente atual nas neuras e aflições que aborda. Sem ser necessariamente cronológico, o filme passeia entre diferentes momentos da narrativa, com foco alternado entre os dois protagonistas. Ainda que, em uma leitura mais superficial, possamos classificar esses personagens como vilão e herói, o fato é que eles compartilham algumas características no decorrer da trama - como se um fosse o duplo do outro. A ligação entre o começo e o fim da longa, que remete à ideia do círculo, do ciclo, é trabalhada por meio de metáforas visuais bastante interessantes. O final surpreendente, que dura poucos minutos em tela, é arrebatador. Enfim, um filme pavoroso por opção de gênero, e não por falta de estilo.

Maidentrip (filme de 2014)

O filme retrata a trajetória de uma menina de 14 anos que decidiu dar a volta ao mundo velejando, sem auxílio de adultos. Conforme a história vai se desenrolando, vemos o quanto isso seria desnecessário, pela maturidade demonstrada por Laura Dekker, além da experiência acumulada ao longo de toda infância na arte de velejar. O documentário mostra toda a batalha judicial enfrentada por sua família para que Laura pudesse realizar seu sonho (uma vez que ele implicava também o abandono da escola). A garota realiza todas as filmagens sozinha, registrando momentos difíceis, como contornar o Cabo da Boa Esperança em meio a fortes tempestades e enfrentar perigosos trechos de recifes e corais. Sem pressa, com um desejo grande de conhecer novos lugares e culturas, a menina leva 2 anos para completar sua empreitada, da qual volta com uma nova consciência em relação à sua identidade, aos seus laços familiares e à sua terra natal. É um documentário muito interessante para quem gosta do tema viag...