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Mostrando postagens com o rótulo tradução

The Illustrated Book of Sayings (Ella Frances Sanders)

Uma das minhas diversões ao ler Lost in Translation , da mesma autora, foi pensar em palavras equivalentes aos supostos termos intraduzíveis listados na publicação. Nesta nova obra de Ella Sanders, que coleta expressões idiomáticas, o trabalho de reconhecer o próximo pela alteridade é ainda mais produtivo. Várias das expressões que encontramos ao longo da obra têm correspondentes próximos (ou mesmo diretos) na língua portuguesa. Resgatar esses parentescos revela muito da história do idioma e de como ele se fez de tantas falas e culturas distintas.

Lost in translation (Ella Frances Sanders)

Tenho paixão por livros enciclopédicos, que só aumenta quando o tema abordado é tradução – ou, melhor dizendo, a intraduzibilidade. Belamente ilustrado e com uma seleção interessante de termos que não encontram correspondentes exatos em outras línguas, a obra de Ella Frances é um deleite. Cada pedaço da publicação é pensada de um jeito inventivo e atraente para o leitor. Poucas passagens escaparam imunes ao meu marca-texto durante a leitura; até a página de expediente e ficha catalográfica traz brincadeiras divertidas com a linguagem e com a flexibilidade das palavras.

Other-Wordly: Words Both Strange and Lovely from Around the World (Yee-Lum Mak)

Longe de ser uma ideia inédita, a coletânea de termos intraduzíveis encontra vários formatos e publicações ao longo dos anos. Entretanto, nem por isso o encontro com os múltiplos significados que atravessam - ou não - uma língua deixa de ser encantador. Com muitos termos do inglês e uma ou outra referência de línguas orientais, é uma obra que poderia ter sido bastante ampliada. Todavia, para a proposta de um livro curto, que satisfaz curiosidades linguísticas, cumpre bem o propósito - e as belas ilustrações o tornam um mimo.

In Other Words (Jhumpa Lahiri)

Quase sem perceber, já li quase toda a produção de Jhumpa Lahiri - uma autora contemporânea que lida com destreza sobre questões doloridas de nossa época, como imigração, pertencimento e o não lugar. As temáticas recorrentes na obra de Jhumpa não são casuais: filha de imigrantes indianos, a autora cresceu dividida entre culturas, línguas e crenças. Uma das muitas restrições que essa fragmentação impunha era a falta de uma língua materna: obrigada a falar inglês na escola e a conversar apenas em bengali com a família, a escritora nos conta como seu próprio idioma (e seu instrumento de trabalho) sempre foi marcado com o signo do interdito. Essas e outras razões a levaram a optar por um autoexílio voluntário de suas pátrias linguísticas: no começo dos anos 2000, Jhumpa se mudou com toda a família para a Itália, onde passou a falar e escrever apenas no idioma italiano. "In Other Words" é o relato dessa jornada, permeado de reflexões arrebatadoras sobre a linguagem, imigração ...

Línguas, poetas e bacharéis (Lia Wyler)

Panorama da história da tradução no Brasil, o esgotadíssimo livro de Lia Wyler é uma importante referência na área. Ainda que seja composto de curtos artigos e não se pretenda a palavra final sobre os temas abordados, o conjunto é farto em referências e curiosidades tradutológicas. Desde o primeiro contato dos indígenas com os portugueses até a regulamentação da classe nos anos 1970, a obra acompanha as variações que a profissão sofreu ao longo do tempo. Ao lê-la, podemos observar o quanto esta tarefa indispensável ao desenvolvimento dos povos pareceu sempre desvalorizada - eternos conflitos da Torre de Babel.

O corvo e suas traduções (Ivo Barroso)

Desde o trocadilho tradutor traidor até o campo de análise que se pretenda o mais analítico possível, a tradução parece destinada a gerar debate - e a inflar as paixões dos ratos poliglotas de biblioteca. Um tanto cansativa - afinal, trata-se de uma coletânea considerável de traduções do mesmo poema -, ainda assim a obra de Ivo Barroso se propõe a ganhar o leitor para as releituras que considera mais adequadas de "O Corvo". O autor não dispensa argumentos para elogiar os tradutores que considera mais felizes na tarefa de apresentar Poe ao leitor brasileiro, e nem tem papas na língua para criticar passagens do poema que considere mal vertidas de uma língua a outra. Ainda que bastante tendencioso ao listar suas traduções preferidas, é um livro rico para entender o quão complexa e intimidadora pode ser a tradução de poesia.

Perdidos na tradução (Iuri Abreu)

O livro "Perdidos na tradução" dá conta de um antigo clichê: a ideia de que títulos de filmes estrangeiros ou são mal traduzidos e/ou sofrem adaptações culturais inexplicáveis. Trata-se de uma obra leve, divertida, capaz de satisfazer uma ou outra curiosidade linguística. Em comentários sobre o livro na internet, há muitas críticas relativas a um suposto desconhecimento do enredo dos longas cujos títulos são analisados. Como desconheço boa parte deles, não pude confirmar se são ressalvas válidas ou não. De minha parte, nem sempre entrei em acordo com o tipo de humor que o escritor propõe - por vezes agressivo, por vezes pincelado de algum preconceito.

Memórias de um tradutor de poesia (Geraldo Holanda Cavalcanti)

Quinto volume de uma série que busca desvendar os bastidores do processo editorial, o livro consiste em uma longa entrevista com o tradutor e poeta Geraldo Holanda Cavalcanti, além de incluir como anexos duas transcrições de palestras. Para quem não conhece o trabalho do entrevistado, as rememorações da infância e juventude podem soar um pouco cansativas. No entanto, esta não é nem a maior e nem a parte mais importante da obra. As reflexões sobre o ato de traduzir poesia são predominantes, e muito agregam a quem se arrisca por essa área. Ao invés de se intitular teórico, Geraldo Holanda Cavalcanti se revela muito mais como alguém que entrou por um acaso na profissão, movido pelo interesse às particularidades do idioma. Assim, sua conversa sobre a tradução de poesia não tem um viés academicista (ainda que seja bem fundamentada nos escritos de Paulo Rónai e outros teóricos), tornando-a mais próxima do leitor: é um convite aberto a quem se interessa pela área.

Escola de tradutores (Paulo Rónai)

Publicado no anos 1950, quando os estudos de tradução no Brasil e no mundo ainda lutavam pelo status de campo teórico, "Escola de tradutores" é um livro que revela a sensibilidade aguçada de Paulo Rónai, profissional de extrema competência e homem que viveu dividido entre terras e linguagens. Com acréscimos de artigos e revisões por quase 4 décadas, a obra é um bom espelho do apuro técnico e edição sistemática de seu autor. Ainda que algumas reflexões sejam bastante datadas, é muito interessante ver o quanto Rónai já antecipa fatos que só ocorreriam meio século depois - como o avanço da tradução automática, a profissionalização do tradutor, a necessidade cada vez maior de usar tradução em um mundo de fronteiras fluidas. Para além dessas questões, o que mais encanta no livro é a sensibilidade impressionante de seu autor. No texto mais tocante do conjunto, ele nos conta, por exemplo, como teve de traduzir (a mando da censura do governo) a carta em que seus parentes relatava...

A tradução literária (Paulo Henriques Britto)

O campo teórico da tradução é bastante recente; no entanto, mesmo que tenha se consolidado apenas nos anos 1970, já conta com inúmeras linhas de raciocínio e vertentes ideológicas (muitas vezes desenvolvidas por quem não exerce o ofício). Este pequeno livro de Paulo Henriques Britto, poeta e tradutor de longa data, é uma excelente apresentação às diversas possibilidades de pensar a atuação do profissional da área. Britto parte de sua experiência para elaborar um texto afiado, que expõe os problemas e as contradições de muitas das teorias tradutórias. Assim, sua obra é não só uma introdução aos principais temas discutidos na área, mas também uma análise fortemente fundamentada deles. O humor do autor é delicioso, o que torna temas "cascudos" (como a contagem de sílabas métricas de versos jâmbicos) se tornarem deliciosos para o leitor. É uma obra feita com absoluta seriedade, mas com o tom de um bom professor - que sabe não só listar informações, mas também discuti-las,...

Poesia traduzida (Carlos Drummond de Andrade)

O volume de poesia traduzida por Carlos Drummond de Andrade, publicado pela extinta Cosac Naify, é um exemplo do trabalho criterioso que tanto nos faz sentir falta dessa editora. Não só há uma pesquisa intensa para recuperar os poemas traduzidos por Drummond em publicações esparsas e sob pseudônimos, como há notas contextualizadoras de cada um dos autores que passaram pelas mãos do itabirano no seu processo de encontrar correspondências poéticas entre as línguas. Considerando o quão recentes são os estudos de tradução (que começaram a se consolidar apenas na década de 1970), é admirável o instinto que o nosso poeta, tradutor amador de poesia, tinha para o trabalho. Ainda guiado pela linha teórica francesa, que admitia verdadeiras recriações literárias pelo tradutor, o trabalho de Drummond na área tem a qualidade de não ignorar a forma. Para cada um dos poemas traduzidos (seja do francês, do inglês, do espanhol ou de outras línguas, por meio de traduções indiretas), há uma escolha d...