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Mostrando postagens com o rótulo Escritoras do mundo

Antes da liberdade (Julia Alvarez)

A capa e a sinopse do livro geram um pouco de desconfiança, por associarem diretamente a ideia de Estados Unidos à liberdade, felicidade etc. No entanto, ao ler a obra essa percepção equivocada se desfaz: ainda que o Tio Sam ofereça às famílias porto-riquenhas uma situação de relativa segurança, isso não diminui o apreço dos personagens pela terra natal, ainda que esta seja permeada de problemas. Não trata-se de uma grande obra literária, mas é muito interessante do ponto vista histórico, ao retratar a época da ditadura (3o anos sob o jugo do violento Trujillo) em Porto Rico. Como a narração é feita por uma menina de 12 anos, presta-se muito bem à exploração didática em sala de aula. O relato tem um toque de Anne Frank, com trechos do diário de Anita (e talvez o nome escolhido para a protagonista não seja só uma coincidência). Apesar de não ser um discurso real, é uma história feita com base em várias falas de sobreviventes da tragédia da ditadura porto-riquenha. E, por isso, é...

Bruna, soroche y los tíos (Alicia Yánez Cossío)

Escrito alguns anos antes de "Cem anos de solidão", este livro traz elementos que nos encaminham a uma relação imediata com a famosa obra de Gabriel García Márquez: com vários elementos do realismo mágico, nos é contada a história de uma família, ao longo de diversas gerações, que representa a experiência universal. No entanto, aqui quem tem a voz de personagem principal é uma mulher, Bruna. E enquanto os homens de sua família são tomados por obsessões, incapazes de lidar com o cotidiano, as mulheres representam a força no meio da loucura, a resistência em uma sociedade patriarcal e dominada por preconceitos. Muitas das questões intrínsecas à cultura equatoriana são tratadas sem papas na língua: o preconceito contra o índio, o branqueamento forçado, a exploração dos mais fracos, a ostentação dos poucos ricos... Alicia Yánez faz críticas sociais incisivas ao contar a história da família de sua protagonista. Contudo, dominado por uma linguagem inovadora e poética, o ...

A mordida da manga (Mariatu Kamara)

Este é o sétimo livro do meu desafio literário "Escritoras do mundo", no qual me propus a ler 1 autora de cada um dos países, a fim de tornar minha estante mais rica em culturas e, principalmente, menos machista. Assim como em "Americanah" (da nigeriana Chimamanda Adichie), "Precisamos de novos nomes" (da zimbabuense NoViolet Bulawayo) e "A primeira luz da manhã" (da indiana Thrity Umrigar), este é um livro sobre a imigração e a adaptação (ou não) a países desenvolvidos, que, em princípio, podem oferecer tudo a vítimas da guerra e da fome. No entanto, assim como nos 3 livros lidos anteriormente, a autora de "A mordida da manga" vem nos mostrar que a realidade não é tão reconfortante assim para os que buscam refúgio. (Um parênteses sobre a dificuldade que tenho para encontrar escritoras de diferentes nacionalidades em meio a um cânone já solidificado em torno dos homens. Por mais que sejam livros excelentes todos os citados, não...

Americanah (Chimamanda Ngozi Adichie)

Estudar literaturas africanas foi uma das minhas melhores descobertas na faculdade - no entanto, africanidade não significou negritude no meu curso de Letras. Além da maioria dos professores brancos, os autores mais estudados também o são. Sem tirar a qualidade de um Mia Couto ou um Agualusa, é preciso considerar que a grade curricular é também uma escolha ideológica. E se a proposta do governo é inserir o estudo de literaturas africanas de língua portuguesa na escola, isso não pode ocorrer apenas por meio de livros escritos por autores que nunca sofreram racismo. Chimamanda N. Adichie sabe abordar as questões relativas à cor da pele e ao preconceito de modo instigante, polêmico, verdadeiro. A autora cria nuances nos personagens, que não se revelam totalmente bons ou maus - mais filhos do sistema do que donos das próprias escolhas. A narrativa é longa, bastante detalhada. Se, por um lado, isso faz que as primeiras páginas do livro não encantem de cara, por outro traz um env...