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Mostrando postagens com o rótulo poesia portuguesa

Cem poemas [antologia pessoal] + 22 inéditos (Maria Teresa Horta)

Maria Teresa Horta esteve recentemente em voga no meio literário brasileiro, graças a uma das mesas de debate da Flip 2018. A escritora portuguesa é dona de uma poética singular, proficiente no gênero breve e intenso da poesia. Cavalgando por redondilhas, frases curtas, incompletudes, Maria Teresa se increve no cenário poético com um estilo bastante definido, ainda que não de todo avesso a certo experimentalismo. O poema que abre a antologia - Mãe - dialoga com um dos versos mais conhecidos de Ana Cristina César: "e o único jardim de amor/ que cultivei/ de navios ancorados no espaço". E assim seguimos até o final do livro, com a voz de Maria Teresa intercalada a de outros tantos poetas - Sá Miranda, Camões, Ferreira Gullar... Organizada em ordem cronológica, a antologia consegue revelar o refinamento da percepção poética da autora ao longo de mais de 40 anos de escrita. Assim, a obra se torna a cada página mais envolvente e menos hermética, ainda que preserve como caracte...

Sonetos de Camões (Antonio Medina Rodrigues)

A série Princípios, da Editora Ática, já salvou muitos estudantes (inclusive universitários) de avaliações negativas. O segredo? Oferecer temas complexos por meio de uma abordagem leve, sem ser, necessariamente, mastigada ou superficial. O ponto-chave é trocar em miúdos o que é macro, amplo, de difícil compreensão. A análise dos sonetos de Camões, por Antonio Medina Rodrigues, é um exemplo desta forma de trabalhar da coleção. Ainda que não se proponha a fazer uma análise minuciosa de cada um dos mais de 200 sonetos do bardo português, o autor oferece um panorama histórico que, mesmo que breve, facilita muito a compreensão da lírica em questão. Ao longo de todo o texto alguns poemas são interpretados e, ao final da obra, há um pequeno "apêndice" com a análise específica de alguns outros sonetos. É um facilitador - e também um incentivo.

A lírica de Camões (Izeti Fragata Torralvo e Carlos Cortez Minchillo)

A edição da Ateliê, como de costume, é uma boa obra de introdução; neste caso em específico, aproxima o leitor da poesia de Camões, com uma explicação sucinta (porém bastante esclarecedora) e exemplos de diversas facetas de sua lírica, dentre sonetos, canções e odes, por exemplo. Um dos aspectos que tornam a poesia camoniana difícil é o seu jogo de lógica, seu discurso racional e intrincado para abordar temas que, à primeira vista, seriam regidos pela emoção, como o amor, a saudade, o pessimismo... Para facilitar o entendimento desses paradoxos tão típicos do bardo português, a  introdução e contextualização iniciais são seguidas por breves explicações em torno a cada poema, o que facilita e estimula a leitura.

Florbela (filme de 2012)

Florbela Espanca é uma das minhas poetas preferidas - autora do começo do século XX, é dona de uma poética provocante (ainda mais se pensarmos o que significava ser mulher e escritora nessa época). Um filme sobre a escritora seria uma homenagem mais que merecida - no entanto, há tempos não via algo tão ruim nas telas. Como diria nosso poeta Bandeira, é a vida que poderia ter sido - e não foi. Tudo o que Florbela representou em vida foi estragado, após a sua morte, nesta obra pífia. Feminismo O amor dum homem? - Terra tão pisada!  Gota de chuva ao vento baloiçada...  Um homem? - Quando eu sonho o amor dum deus!...  Como pode ser visto nos versos acima, Florbela, apesar dos muitos versos românticos escritos, sabe questionar o amor platônico como ninguém. Sua coragem, zombaria em relação ao sexo oposto é interpretado, no filme, por meio de uma personagem rasa. Feminismo é superficialmente visto como lesbianismo, adultério e amigos intelectuais boêmios. O foco da obra...