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Mostrando postagens com o rótulo Filme húngaro

Radioactive (Lauren Redniss) + filme de 2019

Talvez Radioactive seja a minha biografia favorita – o que não é de se estranhar, uma vez que Marie Curie é uma das personalidades que considero mais instigantes e inspiradoras. Contudo, a grandiosidade da obra não se atrela unicamente à relevância das vidas biografadas, mas principalmente ao jeito único que Lauren Redniss tem de contar uma história. As próprias ilustrações da autora causam um certo estranhamento inicial: não se trata aqui, portanto, de fazer uma obra esteticamente bela sobre a vida dos Curie. A ambiguidade da descoberta do rádio e do polônio – ora salvadores, ora arrasadores – perpassa cada página da obra, que não se oferece de maneira simples ao seu leitor. É uma beleza que precisa de esforço para ser vista. Além disso, o que me encanta na narrativa construída em torno da vida de ambos os personagens (porque esta é também uma biografia de Pierre, por mais que nosso interesse orbite principalmente em torno de Marie) é a costura de diferentes elementos para erguer uma...

Colette (filme de 2018)

Colette  narra a história real de uma escritora que, durante muito tempo, escreveu como ghostwriter  do próprio marido, sem receber a fama que lhe era devida. Narrativas similares têm pipocado aqui e acolá, numa tentativa de resgatar personalidades que foram apagadas em seu tempo. A figura da protagonista é bastante ousada, surpreendendo o espectador com as mudanças que sofre ao longo do enredo. No entanto, se a temática que o filme aborda é de fuga aos padrões e irreverência, o mesmo não se aplica à sua forma. É uma produção que segue uma narrativa linear, sem inovações no plano técnico (o que torna a história previsível em certos pontos). Vale como biografia de uma mulher à frente de seu tempo, mas está longe de ser um filme imperdível.

Entardecer (filme de 2018)

Não é preciso consultar muitos estudos para saber que, com a imediatez que a internet nos proporciona, nosso tempo de atenção diminuiu consideravelmente. Talvez isso explique o porquê de tantos filmes contemporâneos investirem em cenas impactantes logo nas primeiras tomadas: um jogo de tudo ou nada, aposta alta no interesse do espectador. Ainda que se passe no Império Austro-Húngaro no começo do século XX, "Entardecer" é um longa quase frenético, em que a narrativa se desenrola com vigor e velocidade. Partindo do in media res , somos guiados por uma protagonista da qual quase nada sabemos. Uma das propostas do filme é, portanto, envolver o espectador em descobrir os enigmas que marcam a história da personagem. O discurso acelerado não proporciona a criação de vínculos muito fortes com os personagens que aparecem em cena - e que não são poucos. Ainda que seja uma obra interessante de acompanhar, a construção em modo fast forward  não convence inteiramente.

Deus branco (filme de 2014)

É um excelente filme sobre o melhor amigo do homem - e sem o toque infantil de um Beethoven ou de uma Lassie. Pelo contrário, é uma obra densa em críticas à nossa sociedade, na qual acaba havendo uma rebelião de cães muito semelhante à que ocorre em o Planeta dos Macacos. No entanto, ao contrário do clássico hollywoodiano, a revolta canina é extremamente verossímil e parece bastante possível de ocorrer a qualquer hora. Talvez essa impressão venha da direção excelente, que torna o protagonista cachorro muito instigante. A sua atuação (Hagen, no filme) foi realizada por dois cães (um para cada fase da vida do personagem), que ganharam até uma espécie de Oscar animal. Apesar do viés mais adulto, não é um filme proibido a crianças um tanto maiores - pode ser um forte incentivo a repensar como tratamos os animais. O longa aborda questões como abandono, violência, centros de zoonoses... e até mesmo o tema do vegetarianismo, de maneira implícita.  O ritmo mais parado, n...