Durante muito tempo, a literatura russa só chegava ao Brasil por meio de traduções indiretas, muitas vezes mal-cuidadas, quando não profundamente alteradas pela ideologia vigente de então - segundo a qual o trabalho de quem traduz é também o de deixar marcas no texto, editando, acrescentando e fazendo cortes sem ter a preocupação de informar o leitor dessas alterações no original. Desde que as traduções diretas do russo começaram a pipocar na língua portuguesa, é motivo de comemoração cada novo autor e obra que são trazidos, sem escalas, das terras frias da mãe Rússia. Contudo, nem sempre isso é atestado de qualidade - como, infelizmente, o atesta esse livro de Anna Akhmátova, poeta tão pouco conhecida por nós. Ainda que seja uma edição farta de notas de rodapé, elas não são suficientes para guiar o leitor brasileiro na escrita de uma autora considerada, até por seus conterrâneos, por vezes hermética. Talvez houvesse sido uma solução mais acertada trabalhar com um número menor de t...