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Mostrando postagens com o rótulo filme libanês

Caramelo (filme de 2007)

Primeiro filme dirigido por Nadine Labaki, Caramelo  tem qualidades interessantes. Com um olhar talvez voltado a um público maior, a diretora preocupa-se em traçar um retrato do Líbano bastante palatável ao espectador ocidental. Temas como homossexualidade, adultério, sexo antes do casamento, negação da velhice são apresentados de uma forma mais aberta do que a que geralmente atribuímos a sociedades em que predomina o Islã. Bom para revermos padrões e ideias preconcebidas em relação a países tão diversos entre si. O longa tem um tom de drama leve que lembra o da série "Sex and the City". Sem grandes surpresas, não deixa de ser eficiente ao costurar um bom retrato de costumes de uma sociedade que ainda nos é tão desconhecida.

Capernaum (filme de 2018)

Uma experiência que me faz não tornar o cinema dispensável, por mais plataformas de streaming  que haja, é a possibilidade de compartilhar emoções durante a exibição de uma obra. No caso de Capernaum , tive a oportunidade de participar de uma verdadeira sessão de catarse - que talvez só consiga comparar ao que foi assistir ao filme Dançando no escuro . No entanto, ao contrário da obra ficcional de Lars von Trier, este longa libanês é quase um documentário, de tão calcado que é na realidade - e, sendo assim, consegue machucar ainda mais. A cena inicial, que já me fez chorar aos primeiros minutos da exibição, condensa muito do que se pode esperar dessa obra de arte magistral. Enquanto uma música de fundo incrível toca, vemos meninos libaneses brincando de guerra, com armas fabricadas com pedaços de madeira. Conforme a câmera se afasta e captura um plano maior, somos apresentados à imensidão da miséria e vemos o quão alegórica é a cena dos garotos pobres tentando mimetizar a violên...

O profeta (livro de Khalil Gibran e filme de 2014)

O modo extremamente poético do narrar em árabe pode ser mal interpretado por leitores ocidentais. É o caso de Khalil Gibran, que, vislumbrado superficialmente, pode parecer simples autoajuda - quando se trata, na verdade, de uma escrita multifacetada e carregada de significados. Minha sorte foi ter feito o caminho inverso - primeiro vi o filme, depois li o livro. A animação é tão belamente construída que nos predispõe imediatamente à imersão na obra de Gibran. Ainda que haja uma riqueza de traços e cores inegável, seu grande valor está justamente nas palavras do poeta. A história original da trama abrange um conjunto de ensinamentos de um homem prestes a partir da terra que lhe acolheu por 12 anos. Por mais que nem sempre entremos em concordância com o personagem/autor, sua filosofia de vida é ampla e abrangente. Assim, mesmo o que possa soar como um regramento ou código de conduta mostra-se aberto a possibilidades distintas de interpretação. Os ensinamentos do protagonista constit...