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Mostrando postagens com o rótulo filme chileno

Fuga (filme de 2006)

Gostei de tantas coisas neste filme: idas e vindas no tempo, fluxo narrativo esquisito (mas não hermético), fotografia quase surrealista, frases certeiras em diálogos, um enredo todo muito bem amarrado (ainda que nem tudo se explique). Por meio da história de uma sinfonia, vários temas relacionados à arte vêm à tona: autoria e plágio, inspiração e prática, pesquisa e apropriação, a violência intrínseca ao trabalho do artista. Além disso, a opressão e a barbárie manicomial também são pautas importantes aqui. Algumas cenas me lembraram um pouco da ideia de "O cisne negro", já que também há um clima soturno e uma espécie de maldição ligada à apresentação da sinfonia. É a arte como perdição e como única fuga possível.

Ninguém sabe que estou aqui (filme de 2020)

O mote do enredo é um menino gordinho que acaba vendendo sua voz e fazendo playbacks para um mocinho com a dita "aparência vendável". Mas, até chegarmos aí, são loooongos minutos de filme. E muitas cenas de drone, que pouco dialogam com o cerne da história, como se o diretor quisesse exibir seu brinquedo novo durante as filmagens. 

A rebelião dos pinguins (documentário de 2007)

Com apenas 40 minutos e elaborado com poucos recursos técnicos, ainda assim "A rebelião dos pinguins" é um documentário que marcou época. Foi um dos principais meios de divulgação da mobilização popular dos alunos chilenos, que acabou inspirando os estudantes brasileiros a fazer o mesmo em 2016. O grande mérito do documentário é dar a merecida voz aos alunos, em vez de priorizar especialistas diplomados (mas distantes da sala de aula). Acompanhamos por meio de seu olhar o porquê das ocupações e como se deu o aparente fim da revolta - assim como vemos o quanto essa força política dos estudantes tem potencial para mudar muito de nosso cenário atual.

Poesia sem fim (filme de 2017)

O que 2017 me trouxe de bons filmes também me legou de estranhamento, certos choques e o abandono de minha zona de conforto enquanto espectadora. Algumas das melhores produções a que assisti neste ano tiveram esse efeito ainda mais intensificado, como foi o caso de "Poesia sem fim". Desabituada à linguagem surrealista do diretor Jodorowsky, durante a exibição da obra senti um incômodo muito maior do que o prazer estético. No entanto, foi um filme que ficou gravado dentro de mim, crescendo em significados e se expandindo em possibilidades. Ao fim de uma experiência de surpresa e rejeição, se transformou em uma referência afetiva. Não é um filme para desavisados, portanto. Todavia, se estivermos abertos à proposta que se oferece já no título - poesia sem fim, polissemia sem restrições - podemos ir, aos poucos, digerindo o longa chileno. E ao final, diante dos créditos, ao percebermos que são os próprios filhos do diretor que interpretam o papel de seu pai em diferentes fases ...

Neruda (filme de 2016)

Raramente um filme que começa mal - no que concerne ao enredo, atuações, trilha sonora, fotografia - consegue se reinventar antes do final, ao menos segundo minhas percepções enquanto espectadora. O inverso, infelizmente, é bem mais comum: tramas ótimas que descambam em um desenlace mirrado, sem satisfazer a nenhuma expectativa possível. Talvez Neruda parta do princípio errado, o que dificulta o envolvimento com a história; segundo o diretor, trata-se de uma fantasia em torno a fatos não explicados da vida do poeta. Para mim, que não havia lido nada sobre o longa-metragem (mas que conhecia a autobiografia do escritor chileno), desde o início a trama me pareceu exagerada e inverossímil. Tive de interromper a exibição ao meio para pesquisar pela internet entrevistas com o diretor que justificassem a escolha do enredo do filme - só assim me dispus a vê-lo até o fim. Surpreendentemente, a caçada do poeta chileno por um agente policial/detetivesco começa a fazer sentido quase no fi...

La Gabriela: una historia de Gabriela Mistral (filme de 2008)

A biografia de Gabriela Mistral, em uma produção cinematográfica chilena, é uma homenagem mais que devida: não só uma das grandes poetas de língua espanhola, ela foi também a primeira latina a ganhar um Nobel por seus escritos.  Além deste grande feito, que já justificaria o interesse por essa personalidade, Mistral foi vanguardista em muitas outras áreas, com especial ênfase no campo da educação. Ainda que o filme mostre a poeta na função de professora, não há muita explicação sobre a sua importância no pensamento pedagógico da época. Mistral foi uma das grandes educadoras latinas do século XX (e, inclusive, chegou a conversar bastante sobre aspectos do ensino com outra poeta, a brasileira Cecília Meireles). O começo do longa é um pouco mais interessante, com a recitação de alguns dos poemas de Gabriela. No entanto, o foco desta obra (principalmente do meio para o fim) é mostrar o quanto a vida da poeta foi sofrida. É uma desgraça atrás da outra, sem o consolo de seu...