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Mostrando postagens com o rótulo filme polonês

The Lamb (filme de 2021)

Com um início bem parado, "The Lamb" me causou uma primeira impressão de desconfiança: tive receio de que fosse mais um daqueles filmes premiados no Cannes, sem diálogos e repletos de naturezas-mortas incompreensíveis do cotidiano. Mas o longa está mais para um surrealismo desvairado que para a pasmaceira - o silêncio que marca os minutos iniciais tem um motivo. Aliás, tudo tem um motivo no enredo, ainda que a premissa que o sustenta seja pura carnavalização. É daquelas obras que vale a pena rever desde o princípio após saber como acaba, só para perceber como todas as pontas foram bem amarradas. E o que parece absurdo, além de questionar nossos limites de verossimilhança, resgata conflitos fundamentais que nos constituem enquanto humanos: a civilização e a barbárie, a natureza e a sociedade, o instinto e a racionalização.

Rede de ódio (filme de 2020)

Este filme centra-se, desde o princípio, no vilão da história. Assim, é uma obra permeada de violência em distintos níveis e com graus variados de requintes sádicos. Contudo, dada a premissa, vale ressaltar que o longa oferece um olhar bastante interessante sobre o cenário que aborda, sem relativizar a maldade dos responsáveis por manipular algoritmos e dados virtuais. Ainda que o protagonista se revele mau-caráter desde o princípio, o fato de ser interpretado por um ator jovem pode ser lido como uma alegoria da nova geração que se constrói. Se já sabemos que somos controlados o tempo todo pelas redes (e o aceitamos), como as próximas gerações lidarão com essa banalidade do mal? Até que ponto nosso pacto de convivência será flexibilizado em nome do poder das redes? Além dos questionamentos que provoca, o filme também vale pela excelente atuação do ator principal. Em uma das cenas, a câmera foca seu rosto e oferta-o para a interpretação do espectador; me lembrou outros filmes que utiliz...

Com amor, Van Gogh (filme de 2017)

Alguns filmes (bem como livros, exposições, experiências culturais diversas) geram uma sensação de incompletude - sabemos que precisaremos retornar a eles em algum outro momento da vida, para compreender um pouco mais o seus significados.  Essa é a experiência que me ficou após o contato com a obra baseada na biografia do pintor holandês. Conhecendo rasamente sua vida e apenas a sua produção artística mais renomada, me senti deslocada durante boa parte do enredo. Aos poucos, fui acompanhando o fluxo da narrativa, mas já sabendo de antemão que a minha ignorância sobre o artista interferiria na minha apreciação do filme. Longe de ser uma produção didática, o longa oferece, ainda assim, um belo contato com a produção de Van Gogh. A reconstrução de muitas de suas pinturas, a vida que se dá às suas telas é um espetáculo à parte e vale mesmo para aqueles, que como eu, muito perdem por não o conhecer tão profundamente.

Klezmer (filme de 2015)

O Holocausto, com o passar do tempo, virou um tema de produção cultural estadunidense; por sua vez, para muitos consumidores exclusivos do american way of life , as únicas versões possíveis sobre o genocídio são retiradas de filmes geralmente comerciais, como A menina que roubava livros  ou o menino do pijama listrado . É preciso resgatar continuamente a história dos grandes crimes da humanidade, para que não se repitam; no entanto, é preciso discutir também a forma como essas tragédias são retratadas e incorporadas. No caso do extermínio judeu, não estaríamos diante de mais um caso de apropriação cultural? Klezmer  é um filme polonês que se passa durante a Segunda Guerra, mas, apesar de seu foco central ser a temática do Holocausto, ele consegue evitar todas as imagens consagradas associadas ao assunto: não há filmagens em campos de concentração, ou em ambientes de guerra, ou mesmo um único prisioneiro com a roupa listrada. Todo o enredo se passa em uma floresta, no perío...