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Mostrando postagens com o rótulo Quadrinhos argentinos

Macanudo 10 (Liniers)

Por ser um volume publicado em comemoração aos 10 anos de Macanudo, há a presença de vários personagens que transitam pelas tiras da série; assim, ao contrário de algumas coletâneas anteriores, não é possível identificar um ou outro protagonista que tenha mais destaque que os demais na publicação. O universo onírico, psicodélico, filosófico de Liniers me encanta. No entanto, como fazia tempo que não lia nenhum volume de Macanudo, fiquei um tanto incomodada com o conteúdo de duas ou três tirinhas, que faziam piadas ruins (ou más) em relação a temas delicados como cor de pele e estereótipo do gênero feminino. Fiquei mais atenta em relação ao conteúdo produzido pelo cartunista, mas continuo gostando bastante do conjunto até agora.

A mão do pintor (María Luque)

Leitura que escolhi para iniciar 2021, "A mão do pintor" ficou bem abaixo das minhas expectativas. O que sabia do livro até então — um quadrinho biográfico em que a autora explora a vida do pintor Cándido López, famoso por retratar a Guerra do Paraguai mesmo após perder a mão direita durante a batalha — até agora me parece um ótimo mote, mas não me identifiquei com o modo como foi executado. Não apreciei o traço de María Luque, particularmente. Além disso, o fato de a edição não contar com nenhuma foto de obra de Cándido López, que possibilitasse a comparação entre os estilos de desenho, não foi de grande ajuda. Os momentos de alívio cômico da história me pareceram um tanto simplistas também. Enfim, talvez tenha ido com a expectativa de uma obra diferente ao bote... De fato, não se trata de um livro ruim (só não é tão bom quanto eu esperava).  

Yo, Matías (Sendra) v. 5

A Argentina tem uma safra inegavelmente boa de quadrinistas. No entanto, nem sempre a qualidade dos pares é igual - e, no que se refere às tiras de "Yo, Matías", por vezes ela é bem inferior. A ideia de uma criança contestadora é já chavão no mundo das tirinhas - Mafalda, Peanuts, Armandinho... O problema de Matías é justamente o quão pouco ele questiona. Suas piadas são baseadas ou em um humor bobo ou em aspectos questionáveis, como chistes de cunho sexual. Neste volume, há a personagem de uma menina feminista utilizada mais para despertar o repúdio do que um questionamento saudável da ideologia. Há também uma sequência curta enfatizando a sensualidade natural das negras - no mínimo, muito dispensável. Enfim, Mafalda ainda reina.

Macanudo 12 (Liniers)

Com um projeto gráfico bem trabalhado (contando inclusive com capas de diferentes cores), este volume das tirinhas macanudas parece focar um pouquinho mais o personagem Picasso do que os demais. Há, inclusive, um diálogo com a pintura cubista nas capas e ao longo do miolo.  É um bom conjunto de tirinhas, ainda que não esteja dentre os meus favoritos. Há boas piadas e alegorias, mas talvez não seja o volume mais profundo dentre os vários já produzidos pelo argentino.

Oops! (Kevin Johansen/Liniers)

Na sequência de "Bis" (dos mesmos autores), este livro vem também suprir uma espécie de lacuna para quem era colecionador de discos ou CDs - trata-se de um encarte ricamente ilustrado para as canções da banda de Kevin Johansen. As entrevistas e fotografias deste volume são ainda mais tocantes do que as da publicação anterior; é muito gostoso acompanhar o processo de criação de artistas de diferentes linguagens, que privilegiam um diálogo honesto entre suas produções. Um dos livros mais lindos da minha estante, e com conteúdo que nada deixa a desejar. Afinal, Kevin é um dos maiores letristas e Liniers, dos melhores quadrinistas do mundo latino.

Gaturro 1, 2, 3 (Nik)

Gaturro é mais um daqueles quadrinhos argentinos que são gostosos de ler, bem elaborados, e que em nada deve à grande tradição de cartunistas na terra dos hermanos. Ao contrário de uma Mafalda ou de uma Henriqueta, o gatinho protagonista das tiras realmente se atém à linguagem infantil, sem uma crítica social tão apurada. Trata-se de um humor mais leve, talvez adequado a crianças menores. O traço dos quadrinhos é maravilhoso, com ótimas escolha de cores, brincadeiras com as formas... enfim, pequenas obras de arte. O conteúdo de algumas tiras é bastante didático - não por lidar com moralismos, mas sim por trabalhar muito vocabulário básico a aprendizes da língua espanhola. Três amorezinhos de livros, em suma.

Guerra e Paz - Mafalda (Quino)

A publicação cria uma pequena série de pôsteres com recortes dos quadrinhos originais da personagem Mafalda. Não é nada de muito inovador, apenas uma roupagem diferente para um texto que já é clássico.

Bis (Kevin Johansen/Liniers)

Como fã que sou do quadrinista argentino Liniers e do músico de múltiplas origens Kevin Johansen, me deliciei com este livro, que apresenta um pouco do trabalho que tem sido realizado em conjunto por ambos. Em um show  que mistura diversas linguagens, Kevin canta acompanhado de sua banda The Nada enquanto o desenhista faz intervenções plásticas baseadas nas músicas. A obra reúne entrevistas com Kevin e os membros da banda, ilustrações diversas de Liniers e todas as letras das canções do álbum Bis! É um livro voltado a um público muito específico, mas que gera suspiros de quem é duplamente fã.

Macanudo 11 (Liniers)

Com Henriqueta e Fellini, meus personagens preferidos de Liniers ilustrando a capa, o livro traz algumas das tirinhas mais famosas desta dupla. Há ainda outras tiras com referências intertextuais e literárias muito boas, além de quadrinhos feitos por outros cartunistas durante o período de licença-paternidade do autor. Uma obra deliciosa, como tantas outras do quadrinista.

Macanudo 9 (Liniers)

A capa deste volume de Macanudo é a querida Olga, o que já diz muito sobre a qualidade do livro. Gosto muito dos quadrinhos de Liniers - ainda que alguns sejam subjetivos demais, conseguem me levar a reflexões e a um estágio de pensamento que é quase uma meditação sobre a vida. No entanto, no amplo leque de personagens criados pelo autor, tenho graus diferentes de identificação. A personagem Olga, um bichinho azul que representa a imaginação de uma criança e que só sabe falar uma palavra - Olga -, apesar da sua simplicidade, é um dos caracteres mais cômicos do autor argentino. Henriqueta, seu gato e Madariaga também aparecem com força poética, como sempre.

Macanudo 7 (Liniers)

Algumas tiras (especialmente as do universo literário da Henriqueta) ainda são muito boas. No entanto, no geral me pareceu um livro mais fraco que os restantes do autor - muitas tiras sem assunto definido, ou subjetivas ao extremo. E algumas tiras sem nenhuma graça mesmo.

Macanudo 6 (Liniers)

Uma série de personagens um tanto surreais, tiras existencialistas, filosofia sobre o nada - Liniers mistura conteúdos densos a um traço meio lúdico, meio psicodélico, alcançando resultados inesperados no mundo dos quadrinhos. Suas tiras (na maioria) não são de fácil compreensão e é preciso uma certa imersão no universo particular dos personagens para desfrutar a leitura. No entanto, uma vez que entremos em sintonia com o dibujante , podemos esperar maravilhas de sua criação.

Macanudo 8 (Liniers)

Grande nome dos quadrinhos argentinos (em pé de igualdade com Quino), Liniers é um cartunista ainda mais ousado, com viés filosófico apurado. Mesmo que algumas das tirinhas sejam criadas sem assunto, apenas para preencher espaço (algo que o autor escancara), nem por isso tiram o charme das que são pequenas obras de arte. Ainda espero uma edição especial para comprar o restante da coleção de Liniers (como foi feito no caso do lançamento em conjunto dos volumes de 1 a 5 em capa dura), pois o preço de cada um é bem elevado - assim como a qualidade do que está sendo adquirido.

Macanudo 1 a 5 (Liniers)

“Macanudo” não é um termo muito usado em língua portuguesa, apesar de sua existência em nosso idioma. Para quem não sabe (nem eu fazia ideia), significa alguma coisa que é muito legal, bonita, agradável, que passa alegria e admiração. Portanto é uma palavra que transmite algo muito positivo. E é também um título bem apropriado para as tiras de Ricardo Siri Liniers. Apesar de muitas tiras apresentarem histórias que não se marcam pelos seus personagens, alguns deles podem ser vistos com uma regularidade. Temos Enriqueta, a menina esperta com seu ursinho de pelúcia Madariaga e seu gato Fellini, com quem tem conversas profundas; há também os pinguins, os duendes, o robô sensível Z-25, o “homem que traduz os títulos dos filmes”, os pássaros, os sapos, os peixes. Em sua maioria, os personagens de Liniers são simples. É o mímico medíocre, a garotinha esperta, pessoas realizando atividades comuns e rotineiras. Mas ele trata de assuntos comuns e rotineiros de uma forma encantadora, com uma...

Esto no es todo (Quino)

Seja através da Mafalda, seja através de seus outros, inúmeros personagens sem nome (caricaturas com as quais a identificação é imediata), Quino é sempre supremo. Neste livro, que reúne o melhor de sua produção, o resultado é desde gargalhadas até constrangimento (causado pela fina ironia que nos atinge diretamente). Mais do que recomendado. Nota: 9,0