A capa deste volume de Macanudo é a querida Olga, o que já diz muito sobre a qualidade do livro. Gosto muito dos quadrinhos de Liniers - ainda que alguns sejam subjetivos demais, conseguem me levar a reflexões e a um estágio de pensamento que é quase uma meditação sobre a vida. No entanto, no amplo leque de personagens criados pelo autor, tenho graus diferentes de identificação. A personagem Olga, um bichinho azul que representa a imaginação de uma criança e que só sabe falar uma palavra - Olga -, apesar da sua simplicidade, é um dos caracteres mais cômicos do autor argentino. Henriqueta, seu gato e Madariaga também aparecem com força poética, como sempre.
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...


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