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Mostrando postagens com o rótulo Arte

Leonardo pop ups (Courtney Watson MacCarthy)

Comecei a ler a biografia de Walter Isaacson sobre Da Vinci recentemente, o que me permitiu comparar seus dados acurados aos apresentados na obra de Courtney Watson. Para minha alegria, além de apresentar lindamente as obras do mestre italiano de forma tridimensional, o livro também se baseia em uma boa pesquisa histórica e se desvia de clichês preguiçosos sobre a vida do artista (como a ideia de que escrever de trás para frente fosse uma marca do gênio, e não apenas uma prática habitual dos canhotos da época, para não manchar o papel com tinta).

Van Gogh: a vida (Steven Naifeh & Gregory White)

Se o elemento óbvio de uma boa biografia é a escolha de um personagem com vida rica em acontecimentos, a pesquisa empreendida por Steven Naifeh e Gregory White já nasceu bem-sucedida. Afinal, poucas figuras históricas correspondem tão bem ao paradigma do artista incompreendido e insano como Van Gogh o faz. A leitura que se propõe dos pensamentos e das motivações do artista holandês é bastante arriscada, tendendo quase a um viés psicanalítico. No entanto, não faltam elementos que deem fundamentação a essa escolha: não bastasse as mais de 1000 páginas da obra, ainda há um site apenas com a bibliografia utilizada na pesquisa, com traduções comentadas. Naifeh e White mostram como é possível lançar-se sobre temas bastante repisados e, ainda assim, descobrir novidades. O exemplo mais notável de análise inédita é a que os pesquisadores levam a cabo para entender o episódio da morte do pintor. Com o aval de médicos legistas e longa busca arquivística, os autores endossam a tese de que Van ...

Frida Kahlo: uma biografia (María Hesse)

Uma das minhas impressões mais fortes ao visitar o México foi ver o quanto Frida, um símbolo de resistência e inconformismo, acabou se tornando um produto altamente vendável. Enquanto aqui no Brasil a vemos mais associada ao movimento feminista, em seu país de origem ela é usada para vender desde chaveirinhos até chocolate quente.  Nesse contexto de hipercomercialização, para que mais uma biografia sobre a pintora? María Hesse responde a esse questionamento de forma brilhante, elaborando um livro que apenas aparentemente é mais do mesmo. A grande ideia da artista espanhola foi recontar a vida da pintora mexicana com ilustrações autorais. Assim, todo o livro conta com belas releituras dos quadros e dos momentos mais impactantes de sua biografia. Tal como a linguagem da mexicana, os desenhos de Hesse são profundamente alegóricos - obras de arte exclusivas, ainda que tão inspiradas por Frida. Recomendável para um público juvenil, com linguagem bastante acessível, não deixa de se...

Alguém viu a Mona Lisa? (Rick Gekoski)

Diante de uma capa de best seller (algo como um Guia dos Curiosos sobre o desaparecimento de obras de arte), minhas expectativas eram de uma leitura de mero entretenimento. Entretanto, não contava com o currículo do autor: especializado em comercializar livros e obras raras, Rick Gekoski tem uma visão bastante apurada e crítica sobre o nosso consumo (por vezes, roubo) de arte. Assim, ainda que seja muito interessante saber alguns dados sobre o desaparecimento de alguns ícones neste universo (como a própria Mona Lisa), este não é o foco principal do livro. Ao longo de seus capítulos, que não precisam ser lidos em ordem sequencial, somos apresentados a vários questionamentos interessantes. Afinal, o que nos leva a consumir arte? A arte pode ser destruída por motivos políticos? Pode ser a representante de pessoas com moral duvidosa? Há separação entre a vida íntima e a obra produzida? Há um valor agregado em cada obra? Como comercializar o que é, em princípio, impagável? Nem sempre ...

I never saw another butterfly

Saber que a educação, ainda que clandestina, se fez possível em campos de concentração foi uma das melhores informações a que tive acesso neste ano tão difícil no terreno do ensino. Em tempos de "escola sem partido" e do lema "professor não é educador", ver um trabalho como o desenvolvido por Friedl Dicker-Brandeis é uma renovação das nossas tão minguadas esperanças. O livro I never saw another butterfly  reúne desenhos realizados por muitos dos alunos de Friedl no campo de Terezín, além de ilustrações feitas pelas crianças do campo em outros momentos. Acompanhados de cada desenho estão poemas, também criação dos pequenos em situação concentracionária.  Ainda que as ilustrações sejam mais simples (até pela falta de material de pintura e papel), muitos poemas trazem uma maturidade e uma plasticidade quase inacreditáveis. Reler estes poemas, pautados por uma descrição pungente do sofrimento, é entrar em contato com uma humanidade despedaçada - e torcer para q...

The city out my window: 63 views on New York (Matteo Pericoli)

Uma ideia extremamente simples que resultou em um livro elegante e de conteúdo: a proposta de Matteo Pericoli, ainda que pareça singela, rende bons frutos. Com formação em arquitetura, o italiano parte de reflexões sobre o seu próprio ambiente de trabalho para realizar entrevistas centradas na importância do que se vê de cada janela.  Muito mais do que uma questão puramente arquitetônica, as 63 curtas declarações de artistas sobre o assunto mostram que ele tem sim sua profundidade. Uma das conclusões a que se chega, após a leitura, é que as vistas revelam mais sobre quem somos do que sobre o ambiente que nos cerca. A verdadeira moldura de cada janela não é feita de aço ou de madeira, mas, sim, do nosso olhar. Para cada entrevista, Matteo faz um sketch do ambiente descrito. Assim, podemos contextualizar as reflexões acompanhadas do retrato do entorno. É um livro interessante para todos e, para professores de inglês, renderia uma boa sequência didática relacionada à descriçã...

Pense como um artista (Will Gompertz)

Como classificar o livro de Will Gompertz? Pensador importante da atualidade e editor de artes da BBC, seria muito difícil rotular sua obra como autoajuda. Por outro lado, pela leveza da leitura e pela edição atual (que inclui até memes sobre arte), não dá para julgá-la como uma discussão teórica hermética. Talvez a etiqueta de "introdução ao mundo das artes" funcione bem aqui. O estudioso analisou várias entrevistas e biografias de artistas, que vão desde Caravaggio até Marina Abramovic, para identificar que elementos compõem o pensamento inovador e criativo. Apesar de muito do que é exposto poder ser sim aplicado em nossas rotinas, a grande virtude do livro está em apresentar-nos um pouco de arte e de histórias curiosas, além de motivadoras. Saber, por exemplo, que Michelangelo se recusou mais de uma vez a pintar a Capela Sistina por ser um escultor e não acreditar em suas habilidades no emprego das tintas, é, no mínimo, assombroso. É uma obra tão cativante qu...