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Mostrando postagens com o rótulo literatura turca

Os possessos (Elif Batuman)

Elif Batuman é um nome que reapareceu com força no mercado brasileiro, com o lançamento de A idiota . Assim como em sua obra mais recente, Os possessos  deixa bem claro, já pelo título, o paralelo com a literatura russa. E, curiosamente, Batuman é uma escritora estadunidense com ascendência turca – o que dá à sua escrita uma visão muito particular de mundo.  Filha do Oriente e do Ocidente, a autora traz uma perspectiva singular para entender a história da Rússia, país com raízes espalhadas por dois continentes tão diversos quanto a Europa e a Ásia. O livro traz muitas reflexões instigantes; entre as que ainda reverberam em mim, estão estas:  - o porquê de os escritos de Dostoiévski e Tolstói, bem como de outros seus contemporâneos, gerarem uma identificação tão forte com seus leitores; - a repetição de motivos, alegorias e estratégias similares e o consequente empobrecimento da literatura contemporânea; - como os nomes dos personagens podem ser: um reflexo do quanto o esc...

A mulher ruiva (Orhan Pamuk)

Nunca havia lido nada de Pamuk, e foi interessante conhecer sua prosa por meio de um livro que dialoga tão fortemente com as mitologias ocidental e oriental. Calcado na obsessão de seu protagonista, o livro recorre às lendas de Édipo Rei (grega) e de Rostam e Sohab (turca), criando uma ponte entre narrativas distantes que trabalham com o mesmo princípio: o pai destinado a matar o filho e o filho destinado a matar o pai. Outra aproximação possível entre as culturas do lado leste e oeste do mundo se dá conforme o autor vai descrevendo o processo de urbanização de Istambul. Enquanto o começo do livro parece situado em um ambiente muito distante do nosso (com a figura de um artesão de poços e artistas circenses no meio do deserto), aos poucos os elementos vão se imiscuindo à nossa própria cultura: no final do romance, já nos deparamos com a industrialização e a tecnologia de massas, que tiram muitas das peculiaridades de cada povo  tradicional. O estilo de Pamuk me lembrou um pouco o d...