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Mostrando postagens com o rótulo Quadrinhos japoneses

Frankenstein (Junji Ito)

Apesar de intitulado apenas Frankenstein , o volume traz duas obras bastante distintas: uma coletânea de contos de horror que tem como protagonistas alunos adolescentes e a adaptação propriamente dita da obra de Mary Shelley. Ao final, ainda há duas historinhas curtas sobre a cachorrinha maltês do autor, que não chegam a ser assustadoras, mas trazem o estilo característico do mangaka. Quanto à primeira coletânea de histórias, demorei a perceber que se tratava de um mesmo núcleo de personagens, uma vez que cada uma narra uma aventura bastante distinta da outra. No entanto, o próprio mangá oferece uma explicação verossímil para essa realidade paralela – da qual algumas versões são mais interessantes que as outras. A adaptação de Frankenstein , por sua vez, tem o mérito de recriar o monstro de forma realmente assustadora. Não há economia nas cenas que mostram Victor Frankenstein em cemitérios e serrando corpos para elaborar sua criatura. Além disso, outro ponto interessante é o de ser um...

Rohan no Louvre (Hirohiko Araki)

A ideia central da história foi o que me cativou a iniciar a leitura do mangá, volume único: a de um personagem com um superpoder especial. O que o protagonista da história consegue fazer é ler as pessoas que o rondam como se fossem livros e, se quiser, modificar as histórias delas. Fora isso, a trama criada para o livro é bem redondinha, o que é de se esperar em uma obra curta e sem continuação. Não tem nenhum elemento genial, mas é o suficientemente coerente para prender a atenção do leitor, além de criar uma metalinguagem interessante e dialogar bem com o ambiente artístico de um museu.

O último voo das borboletas (Kan Takahama)

Talvez o gênero mangá peça, naturalmente, por sequências mais longas e tramas romanescas. Quando se reduzem a um único volume, ao menos para mim, a experiência dificilmente é arrebatadora.  "O último voo das borboletas" traz várias características bem pensadas: o traço mistura aspectos usuais do gênero enquanto dialoga com as graphic novels; as cenas de fundo são quase tão interessantes quanto a história em primeiro plano, revelando quadros de um Japão prestes a se ocidentalizar; a narrativa é bem amarrada, sem deixar pontas soltas ou conflitos não resolvidos. Ainda assim, não é uma leitura imperdível. O que mais me cativou no mangá foi o trabalho editorial; o contexto histórico que a tradutora aproxima do leitor, por meio de um glossário muito pertinente, é um dos pontos de maior destaque na publicação.

Ayako (Osamu Tezuka)

História de uma família em declínio, mas também história do Japão no período pós-guerra, este longo mangá de Osamu Tezuka é uma jornada por histórias intrincadas de vida, marcadas pela desolação, violência e abandono. O retrato de uma grande família reverbera na narrativa de um país que, após ser destruído pela guerra, volta a se desenvolver sob o aval de outras potências. Permeada de conflitos, a obra é uma rica imersão cultural na história do Japão.  

O homem que passeia (Jiro Taniguchi)

Já havia entrado em contato com a obra contemplativa de Jiro Taniguchi por meio do mangá "Guardiões do Louvre". Entretanto, em "O homem que passeia" me deparei com um tom ainda mais profundo pautando as observações do protagonista; afinal, trata-se aqui de uma publicação sobre a arte da caminhada e o ato de flanar pelas ruas da cidade. Aparentemente despretensiosa, a produção de Taniguchi enreda o leitor em mistérios dos quais ele mal se dá conta. Assim, de forma bastante sutil, é proposta uma narrativa não linear, que pode enganar aquele que não esteja atento às mudanças de traços e pequenos elementos que denunciam a temporalidade da história. O protagonista, do qual tão pouco sabemos (a não ser do seu prazer de caminhar sem rumo), consegue nos surpreender em uma reviravolta quase ao final da história - recurso similar também foi usado em "Guardiões do Louvre". Bem longe do universo de mangás de luta ou de romance, a obra de Taniguchi consegue desvela...

Helena (Machado de Assis) + Helena (mangá New Pop)

Terceiro romance publicado por Machado de Assis, "Helena" adianta alguns traços definidores da escrita do Bruxo do Cosme Velho. Ainda que esteja situada no Romantismo, a narrativa traz uma protagonista bastante ambígua e vanguardista - assim, mesmo que seja um dramalhão um tanto exagerado, a personalidade de Helena nos arrasta para dentro do romance. Há aspectos na figura da protagonista que antecipam pautas feministas do século XX: a não submissão a padrões socialmente impostos, o casamento posto em xeque, a necessidade de as mulheres decidirem o que estudam, a que se dedicam e de cavalgarem livres pelo mundo, sem terem de justificar suas atitudes perante os demais. Por ser bastante novelesco, a adaptação a mangá do tipo Shojo funciona bastante bem. A seleção de cenas da obra adaptada pela New Pop foi bastante certeira, selecionando os momentos principais da trama e as falas mais importantes para marcar o caráter de cada uma das personagens dentro da obra. Enfim, uma ada...

Adolf v. 1 (Osamu Tezuka)

Osamu Tezuka é uma ótima indicação para quem quer entrar nos mundos dos quadrinhos (ou mesmo para quem não quer, com aquela resistência esnobista de quem crê que pode o suficiente para definir o que é ou não cultura/literatura/uma boa narrativa). O autor foi uma das minhas mais marcantes iniciações no universo das histórias em quadros, e não deixa de me surpreender a cada obra nova que descubro. "Adolf", sequência de 5 mangás esgotadíssima no Brasil, se passa no contexto da Segunda Guerra Mundial, entre a Alemanha e o Japão. São 3 personagens homônimas que protagonizam a narrativa: um judeu alemão, um japonês e o (infelizmente) renomado Adolf Hitler. Na trama construída por Tezuka, a vida desses Adolfs se toca de forma misteriosa e trágica. O primeiro volume da saga é extremamente bem construído, criando expectativa e curiosidade no leitor. Ao longo das mais de 200 páginas iniciais da narrativa, participamos de um cenário repleto de personagens profundas (mesmo que 2 dos ...

Guardiões do Louvre (Jiro Taniguchi)

"Guardiões do Louvre" é um mangá que parte de uma premissa mais fantasiosa, a qual talvez não capture o leitor de primeira. No entanto, conforme avançamos as páginas, é difícil não se deixar envolver pelo estilo melancólico e poético de Jiro Taniguchi. Além de o modo de narrar a história já valer a pena por si só, a temática dessa obra é impactante para quem ama o mundo das artes. Acompanhamos o protagonista não só em uma experiência fantástica no interior do Louvre, mas também em contato com artistas como Corot, Van Gogh e Chu Asai. Uma das partes finais do livro, em que o protagonista vê como foram salvas as obras do Louvre durante a Segunda Guerra, é uma das mais interessantes do conjunto. Cheio de curiosidades históricas e artísticas, é um prato cheio para qualquer um que se interesse pelo assunto. Apesar de curto, consegue construir um protagonista complexo, maravilhoso guia pelos corredores abarrotados de gente, arte e história.

Orange (Takano Ichigo)

O mote é interessante: um grupo de amigos recebe cartas do futuro para tentar salvar Kakeru, um jovem que cometeu suicídio. Todo o interesse termina no plot, porque o desenvolvimento da história é horroroso. O leitor, que acompanha a saga durante 5 volumes, se deparará com uma explicação extremamente tosca para justificar como essas cartas viajaram no tempo. Além disso, são quase mil páginas de mimimi amoroso. "Oh, ele encostou na minha mão" e outras neuras adolescentes absurdamente melosas, chatas, nhémnhémnhém. O final deixa a desejar também, combinando com todo o resto - ao menos nisso, a obra tem unidade.

5 centímetros por segundo (Makoto Shinkai)

Apesar de ser um dos meus filmes de anime preferidos, o mangá de "5 centímetros por segundo" não me surpreendeu. Talvez um dos elementos presentes na obra para o cinema que mais encante seja justamente o que tanto faça falta nestes quadrinhos: a cor. Na animação, não apenas o traço é belo, como a composição com as cores é superdelicada, criando imagens poéticas, memórias visuais de jovens realizando suas primeiras descobertas amorosas. O modo não linear de narrativa, que tão bem é desenvolvido nas telas, fica um pouco confuso para uma obra em mangá relativamente curta (2 volumes). Falta coesão entre os elementos da história, e quem não tenha assistido ao filme pode ficar um tanto perdido na leitura.  Ainda que nem sempre a relação entre os personagens e a localização temporal das narrativas sejam claras é, apesar de tudo, um mangá com qualidade acima da usual. Talvez lançar a história totalmente colorida ou com algumas páginas a mais, para evitar buracos no enredo...

O cão que guarda as estrelas (I e II - Takashi Murakami)

Ganhador de vários prêmios, inclusive o de "Livro para chorar", estes dois mangás (O Cão que guarda as estrelas/O outro cão que guarda as estrelas) são complementares e contam histórias de vida difíceis, transformadas pela presença de um cãozinho. A narrativa principal, que perpassa ambos os volumes, é a de um homem extremamente solitário, que aos poucos percebe que sua única boa companhia é a do cachorro Happy (responsável por trazer o mínimo de alegria a uma pessoa totalmente desiludida). O modo delicado de abordar o tema da doença e da morte torna estes mangás um produto cultural muito bem acabado, indicadíssimo tanto para crianças quanto para adultos. Uma história profunda que merece ser lida.

Dalai Lama e Gandhi - Biografias em mangáa

Retratar a vida desses dois personagens icônicos, seja em mangá ou por qualquer outro meio, é uma tarefa digna de elogios (ou ao menos a intenção o é). Muito bem desenhados, os livros atestam uma boa pesquisa sobre os biografados. Apesar da limitação de espaço, já que tratam-se de mangás de um único volume, o enredo passa a impressão de um resumo bem-feito. Se fosse possível desenvolver as tramas, talvez tivéssemos obras com a qualidade da série Buda, de Tezuka. No entanto, ainda assim vale a tentativa. O que faltou em ambas as obras, especialmente na que trata do trabalho do Dalai, foi uma melhor revisão e editoração. Há falhas grandes, que tiram os mangás da lista de livros que colecionamos com orgulho.