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Mostrando postagens com o rótulo Haruki Murakami

Homens sem mulheres (Haruki Murakami)

Livro de contos excelentes, do autor japonês que é mais cotado para o Nobel que o Di Caprio para o Oscar. Nem todas as tramas têm a mesma qualidade, mas, no geral, são todas muito envolventes. Ainda que mais de uma história tenha final aberto (o que pode deixar o leitor meio "perdido", a princípio), todas as tramas são tão bem amarradas que é difícil se decepcionar com a leitura. Drive my car - conto sobre um ator de teatro que precisa de um motorista particular. Ao contratar uma mulher para o cargo, se vê diante de uma confidente e potencial amiga. Ainda que pouca coisa aconteça de fato na trama (a la Tchekhov), nós, como leitores, também nos tornamos aqueles dispostos a ouvir os segredos do protagonista. Yesterday - o amigo do narrador lhe faz um pedido especial: que saia com a sua namorada para que, assim, possa saber com quem ela o trai. O desfecho da história só vai ocorrer muitos anos depois, com os personagens ainda tentando entender o que aconteceu com eles no pas...

Norwegian Wood (Haruki Murakami)

Este livro de Haruki Murakami, escritor japonês sempre alvo das especulações em torno ao Prêmio Nobel, é comparado, por alguns críticos, ao "O apanhador no campo de centeio", de J.D. Salinger. Começo minha resenha discordando veementemente de tal afirmação - e o que me leva a separar o joio do trigo é o fato de o livro de Murakami ser bom (ao contrário do romance estadunidense). Enquanto a obra de Salinger apresenta o estereótipo do adolescente mimado e rebelde sem causa, em "Norwegian Wood" há personagens complexos, enigmáticos, sempre cercados pelo halo do desespero, da solidão e da morte. O contexto em que se desenvolve a trama é muito familiar à população japonesa: há, de fato, muitos suicídios de jovens orientais com desempenho escolar exemplar. Talvez a estrutura fortemente hierárquica da sociedade nipônica explique esse fato; talvez não. E o autor sabe abordar o tema, sem, em momento algum, tentar justificar o desejo de morte de alguns de seus personagens. ...

Depois do terremoto (Haruki Murakami)

Para quem leu 1Q84, este livro é uma espécie de gênese da obra: publicado quase 10 anos antes, já traz alguns dos motes que serão muito melhor reaproveitados por Murakami na narrativa de Aomame e Tengo. São 6 histórias que, aparentemente, têm como pano de fundo o terremoto. No entanto, o tremor de terra pouco chega a interferir na estrutura das narrativas. Se ele era o elemento de coesão entre as histórias, sua função deveria ser quase a de um personagem, ao invés de um simples elemento do cenário. O final da maior parte dos contos deixa a desejar. Murakami propõe finais abertos sem consistência, que não instigam o leitor a pensar em novas possibilidades, em significados ocultos; parecem simplesmente histórias mal escritas. As duas narrativas finais, sobre a rã e sobre o urso, apesar do tom mais surrealista/infantil, são as que melhor conseguem atingir o leitor, capturá-lo pela empatia. Mas, como o desfecho não salva toda a obra, vale apenas como curiosidade: um meio para co...

1Q84 (Haruki Murakami)

A trilogia de quase 1000 páginas do escritor japonês Haruki Murakami começa despretensiosa, focando a vida de uma aparente executiva atrasada para efetuar uma tarefa importante. No entanto, logo no segundo capítulo percebemos que há algum objetivo maior na obra, que conta, na maior parte do tempo, com dois personagens principais, vivendo em um mesmo mundo e levando vidas em paralelo. 1Q84 é um livro que deve ser lido sem apresentações prévias. Qualquer tentativa de sinopse arruina o suspense de uma trama muito bem amarrada, construída de forma  a surpreender o leitor a cada página. Contudo, não é apenas de tensões que se alimenta a pena do autor japonês - ele sabe envolver o leitor aos poucos, com descrições tão minuciosas que nos fazem mergulhar no cotidiano dos personagens. Além de todos esses recursos, a presença de uma ou outra frase de efeito - porém absolutamente profunda - me fisgou completamente. Por ser um romance tão longo, há uma ou outra incoerência, talvez...