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Mostrando postagens com o rótulo filme islandês

Inspire, expire (filme de 2018)

Com algo de "Nomadland" (ou talvez alguma semelhança com os filmes de Ken Loach, marcados pelo esgarçamento da linha entre classe média e miséria), a primeira cena de "Inspire, expire" já nos leva para um contexto de pobreza remediada na Islândia. Lembro-me de ter lido este ano (não recordo onde) que o pior tipo de pobreza é aquele que tem de ser disfarçado. É sobre isso que o filme trata, de forma geral: uma mãe que consegue o emprego sonhado na polícia imigratória e que precisa manter a aparência de estabilidade até o fim do período probatório. Aliás, que alegoria linda da narrativa para pensarmos em catracas sociais. Também é uma história bonita sobre amizade e sororidade. Gosto muito de tramas que tematizam o encontro epifânico de desconhecidos - com uma pontadinha de esperança no meio do turbilhão de misérias, fica ainda melhor.

Contra o gelo (filme de 2022)

O que queremos ver em um filme de exploradores? Muitas cenas da mãe natureza acabando com toda nossa pretensão humana de dominar o ambiente. Nesse quesito, "Contra o gelo" é um prato cheio: aquele típico enredo em que uma desgraça se sucede à outra na vida dos desbravadores. A produção conta ainda com uma bela fotografia, que faz jus ao cenário deslumbrante. No entanto, é uma história dotada de certo tom épico para descrever o que é, em suma, um relato de colonizadores.

The Lamb (filme de 2021)

Com um início bem parado, "The Lamb" me causou uma primeira impressão de desconfiança: tive receio de que fosse mais um daqueles filmes premiados no Cannes, sem diálogos e repletos de naturezas-mortas incompreensíveis do cotidiano. Mas o longa está mais para um surrealismo desvairado que para a pasmaceira - o silêncio que marca os minutos iniciais tem um motivo. Aliás, tudo tem um motivo no enredo, ainda que a premissa que o sustenta seja pura carnavalização. É daquelas obras que vale a pena rever desde o princípio após saber como acaba, só para perceber como todas as pontas foram bem amarradas. E o que parece absurdo, além de questionar nossos limites de verossimilhança, resgata conflitos fundamentais que nos constituem enquanto humanos: a civilização e a barbárie, a natureza e a sociedade, o instinto e a racionalização.

Innsaei (filme de 2016)

Qual é o papel da intuição no comando de nossas ações? E como trabalhar o tema sem cair no discurso de autoajuda, com nenhum aprofundamento mais sério sobre a subjetividade? Ainda que comece com um relato aparentemente forçado (algo como fala pronta para o TED) sobre uma profissional de sucesso que abandona a carreira em busca do próprio eu, o filme surpreende. Apesar de um tanto clichê, o mote consegue fincar raízes mais profundas ao trazer para o debate outras experiências com a intuição, inclusive científicas. Não é uma obra revolucionária, mas vai além do entretenimento namastê.