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Mostrando postagens com o rótulo Contos

As aventuras do menino Jesus (Alberto Manguel)

Alberto Manguel, escritor e crítico argentino, fez nesta obra uma reunião de histórias sobre o nascimento e a infância de Jesus - partindo da Bíblia e passando por evangelhos apócrifos, textos poéticos, romanceados e profanos. O ponto fraco do livro é o tom de repetição - como se trata, basicamente, da mesma narrativa (mas com algumas variações), ao final da obra estamos tão cansados da redundância que já não nos atentamos aos detalhes que diferenciam uma versão da outra. O que mais impressiona é ver que algumas abordagens terríveis da figura mítica tiveram sim uma grande recepção, ao menos na época em que foram publicadas. Em mais de um dos contos coletados, é narrada a história de que Jesus menino, enfurecido ao tropeçar em um garoto, o faz cair morto de vingança. As referências a um Cristo explicitamente racista também estão presentes em mais de uma das versões - o que talvez esteja por trás do fundamentalismo irracional que perdura até hoje.

Contos de lugares distantes (Shaun Taun)

Já sabia que Shaun Taun era um desenhista fora de série, descoberta que fiz ao me deparar com a sensível obra "Imigrantes". No entanto, em "Contos de lugares distantes", não só renovei essa percepção como descobri a sua faceta enquanto escritor - igualmente deslumbrante. Cada conto deste livro é uma peça única, delicada, que metaforiza sentimentos e aspirações universais (e também íntimas, pessoais). Por vezes, o que mais fala é o desenho; em outras, é a escrita. Mas, de maneira geral, o casamento entre texto e ilustração é ótimo. As diferentes técnicas utilizadas nas imagens tornam a leitura ainda mais dinâmica (ainda que este dinamismo não signifique falta de profundidade). Recomendo, obrigo a leitura. Todo livro que reflete tão belamente sobre a nossa humanidade merece ser conhecido.

Contos Fluminenses (Machado de Assis)

Um dos primeiros livros do autor carioca, Contos Fluminenses ainda escorrega no Romantismo, com a composição de personagens um tanto idealizados e a construção de um narrador sem a agudeza do Machado mais experiente. Nenhuma das narrativas beira os clássicos posteriores, e só são interessantes para quem tem curiosidade pelos primeiros escritos de um dos maiores escritores brasileiros.

A cartomante e outros contos (Machado de Assis)

A edição da Moderna, apesar da capa bastante feia, pouco atrativa (vide abaixo), se destaca sim pelo conteúdo. A obra reúne os melhores contos machadianos: além de A Cartomante, temos os clássicos A causa secreta, Pai contra Mãe, Missa do Galo... Reler Machado é sempre gratificante. Um pecado é lê-lo como obrigação escolar aos 14, 15 anos, quando ainda não temos maturidade para entender seu cinismo, agudeza de opiniões, ironias afiadas. Ler sua obra conforme os anos passam é uma oportunidade de começar a entender a sua visão de mundo, a construção dos personagens, as entrelinhas dos diálogos e, inclusive, o significado dos silêncios.  Na obra do autor carioca, nada passa despercebido: até o personagem que se cala tem muito a dizer. O personagem que muito diz, por sua vez, precisa ser analisado pelas entrelinhas do seu discurso. As aparências são postas à prova a cada linha dos contos. Para quem, apesar do trauma escolar, pretende dar uma nova chance ao bruxo do Cosme Velho, nad...