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Mostrando postagens com o rótulo Educação

Paulo Freire para educadores (Vera Barreto)

Quando perguntado sobre a principal característica de um bom educador, Freire respondeu que era gostar da vida. E é por isso que este livro, voltado para as práticas pedagógicas, começa sendo uma biografia de Freire - afinal, é da vida que tudo se faz. As principais ideias de suas diferentes pedagogias aparecem na sequência. A alfabetização de adultos, seu trabalho mais renomado, ganha maior peso ao longo das páginas. O livro é, em suma, um sobrevoo panorâmico sobre os diversos terrenos em que Freire semeou esperança.

Cuidado, escola!

Li recentemente Educação contra a barbárie , obra que é um grito revoltado contra as políticas oficiais de educação sob o desgoverno em que vivemos. Contudo, um dos pontos que me incomodou naquela leitura foi a perspectiva ainda muito tradicional da educação, como se trocar o presidente, mas mantendo o modelo correcional de ensino, resolvesse algo de fato. Nessa perspectiva, Cuidado, escola! é um livro semelhante, mas com uma fundamentação realmente revolucionária. Também escrito contra os desmandos da política de sua época, o livro é assinado por vários intelectuais exilados durante a ditadura, incluindo nosso patrono Paulo Freire. Por meio de uma linguagem bastante acessível e exemplos fáceis, a obra consegue mostrar que é preciso arrancar as raízes que nos prendem a um modelo ultrapassado de ensino-aprendizagem. A fim de ser democrática, a educação precisa dar voz a todos os envolvidos – um dos elementos que não ocorrem em Educação contra a barbárie . Os acadêmicos podem contribuir ...

Educação contra a barbárie

A proposta desta obra, coletânea de diversos artigos de autores distintos, foi a de ser uma voz de levante contra os ataques que a educação vem sofrendo e que são articuladas pelas instituições governamentais que deveriam defendê-la. Só que levantar-se não basta, se não for para destruir as estruturas que nos mantém presos ao mesmo terreno repisado de práticas pouco democráticas na sala de aula. Há alguns pontos que são certeiros no livro; entre eles, a ideia da produção de conteúdo didático de forma compartilhada e livre de direitos autorais, o questionamento dos interesses de grandes empresas e bancos em patrocinar iniciativas educacionais, a importância de não calarmos nossa indignação e ódio em nome das comportadas competências socioemocionais da BNCC e a análise fenomenal de problemas da educação comunitária que bell hooks realiza, no artigo que fecha a obra. No entanto, boa parte dos artigos que compõem a coletânea não me trouxeram nada novo; é como se a proposta de educação idea...

Pedagogia do oprimido (Paulo Freire)

Apesar de ter estudado em uma universidade taxada de comunista pelos ideólogos do WhatsApp, a verdade é que pouco me lembro de ter visto a obra de Paulo Freire na licenciatura. Se não fossem os conservadores, talvez esse grande pensador brasileiro estivesse um tanto esquecido; assim, que eles levem consigo o mérito dessa redescoberta e dos novos estudos que estão em andamento sobre a vida, obra e metodologia freirianas. Tenho uma vaga lembrança de ter lido duas das pedagogias de Paulo, por conta própria, em algumas das minhas passagens pela biblioteca. Se não me engano, uma delas era a Pedagogia do oprimido , que, na época, não me causou grande impacto. Talvez me faltasse um referencial mais robusto para entender o quanto a educação que tive se apoiou em um modelo bancário (inclusive na universidade). A obra foi escrita em um período de fortes dissidências e perseguição política; não é à toa que parece dialogar tão bem com os tempos cindidos que vivemos hoje. No entanto, como é dito no...

Makers, a nova revolução industrial (Chris Anderson)

Livros que trabalham as novas tecnologias tendem a ficar rapidamente defasados - no entanto, ainda que publicada em 2012, a obra de Chris Anderson consegue sustentar o interesse do leitor quase uma década depois. Um dos motivos que levam a esse resultado é o fato de a obra trabalhar com prospectos para o futuro próximo (alguns dos quais já se concretizaram). Assim, mesmo que não se trate de um livro isento à passagem do tempo, tem um prazo de expiração um pouco maior. O panorama construído pelo autor é muito interessante pelo fato de ser calcado na história. Dessa forma, a metodologia maker não é analisada como uma grande inovação recente da humanidade, mas sim como um processo que já existia e que ganhou forte apoio das tecnologias. O autor abstém-se de tocar em alguns pontos polêmicos - como a substituição do homem pela máquina e o uso de mão de obra escravizada -, mas não chega a maquiar a realidade. Em algumas passagens, deixa claro ao leitor por que acredita na revolução maker...

Conversas com um jovem professor (Leandro Karnal)

O título mais acertado para a obra de Karnal seria: Conversas com quem deseja ser professor. Para quem já está na área, o panorama que o autor apresenta é bastante conhecido (isso quando não está desatualizado). Renomado por seus vídeos questionadores, o escritor aparenta não ter o mesmo potencial provocativo na escrita; poucas vezes sai do óbvio e, em muitas, beira a autoajuda. Karnal também não inova; ainda que reveja sua prática como professor ao longo dos anos, não chega a repensar o modelo como um todo, a buscar novas possibilidades de ensino. O ponto mais interessante do livro (e que supera muito em qualidade todo o demais be-a-bá de como dar aulas) são as indicações de filmes sobre a profissão. Afinal, o autor parece só funcionar mesmo atrás das câmeras, ou falando sobre elas.

The Freedom Writers Diary (with Erin Gruwell)

Ademais de ser o livro que serviu de base para o filme Escritores da liberdade , este é um relato real de experiências educacionais dentro e fora da sala de aula, na voz de 142 estudantes e da professora-motivadora. Erin Gruwell é uma profissional altamente inspiradora (quase no limiar entre a vocação e o papel de mártir), que realiza um esforço gigantesco em prol da aprendizagem de adolescentes em situação de risco. O resultado é um livro tocante, forte - e produzido pelos próprios alunos durante suas aulas de língua inglesa. O longa-metragem inspirado nessas páginas, apesar de ser muito bem realizado, peca por uma ou outra idealização em relação ao ato de ensinar. O livro, um pouco mais cru, não esconde os problemas enfrentados por essa professora, muito mais humana que super-heroína. Aqui temos o relato de quando ela pensou em desistir da turma, confissões de alunos usuários de drogas, reclamações em relação à aula ou aos outros estudantes... Tudo o que no filme é perfeito, aqui é...