Pular para o conteúdo principal

Pedagogia do oprimido (Paulo Freire)

Apesar de ter estudado em uma universidade taxada de comunista pelos ideólogos do WhatsApp, a verdade é que pouco me lembro de ter visto a obra de Paulo Freire na licenciatura. Se não fossem os conservadores, talvez esse grande pensador brasileiro estivesse um tanto esquecido; assim, que eles levem consigo o mérito dessa redescoberta e dos novos estudos que estão em andamento sobre a vida, obra e metodologia freirianas.

Tenho uma vaga lembrança de ter lido duas das pedagogias de Paulo, por conta própria, em algumas das minhas passagens pela biblioteca. Se não me engano, uma delas era a Pedagogia do oprimido, que, na época, não me causou grande impacto. Talvez me faltasse um referencial mais robusto para entender o quanto a educação que tive se apoiou em um modelo bancário (inclusive na universidade).

A obra foi escrita em um período de fortes dissidências e perseguição política; não é à toa que parece dialogar tão bem com os tempos cindidos que vivemos hoje. No entanto, como é dito no livro, não há educação que não seja práxis. Assim, se a Pedagogia do oprimido é um excelente referencial teórico, é preciso conceber que ela não se basta sozinha. Sem uma prática revolucionária no ambiente educacional, a metodologia proposta não se sustenta. É preciso ler e agir, já que a opressão não se desfaz sozinha.



 



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cartas a um jovem poeta (Rainer Maria Rilke)

Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...

Armandinho 1, 2 e 3 (Alexandre Beck)

O personagem de cabelo azul já ganhou apelidos que o aproximam dos famosos Calvin e Mafalda. No entanto, o toque brasileiro é que faz a diferença e aproxima Armandinho de seus leitores. O garotinho, que não gosta muito da escola, mostra que a sabedoria vai muito além dos bancos da sala de aula. Desde questões políticas específicas - do Brasil ou de Santa Catarina - até piadas simples sobre assuntos cotidianos, a força das suas tirinhas reside também na versatilidade. O ponto de vista infantil nos serve de guia nesses quadrinhos, nos quais os adultos aparecem sempre retratados sob o viés da criança. Para comprovar esse fato, basta observar o traço: assim como na clássica animação dos Muppets, apenas as pernas dos personagens mais velhos são desenhadas. Se a semelhança com Mafalda está no aspecto irreverente (e nos cabelos que são marca registrada), com Calvin o parentesco vai além: em muitas das tirinhas, Armandinho aparece com seu bicho de estimação (um sapo que, inclusi...

Momo e o senhor do tempo (Michael Ende)

Michael Ende é o autor alemão de "Uma história sem fim", um enredo mágico que foi adaptado para os cinemas e ganhou uma grande legião de fãs nos anos 80 e 90. Vasculhando sua bibliografia, descobrimos que o sucesso da narrativa de Atreyu não é isolado: seu criador é um grande contador de histórias, daquelas que realmente não merecem ter fim. A garota Momo, protagonista desta trama, é um ícone da inocência que não deve ser perdida na infância - ela sabe viver seu tempo, sem se submeter às regras dos adultos (sempre tão atarefados). Seus conhecimentos não vêm da escola, mas dos ensinamentos da comunidade e da natureza; seu grande atrativo é ter o dom de escutar em um mundo em que ninguém quer se ouvir. E é com essas qualidades, tão naturais e simples, que a menina enfrenta as tramoias elaboradas pelos ladrões do tempo. Apesar do cenário fantástico e da linguagem acessível, o melhor interlocutor para esta narrativa é o adulto - principalmente aquele que já tem fi...