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Mostrando postagens com o rótulo Literatura irlandesa

Normal People (Sally Rooney)

Talvez Normal People tenha sido meu grande page-turner de 2021, além de série que maratonei com mais entusiasmo. Uma parte de mim se incomodou com tanta euforia: afinal, a linguagem despreocupada de Sally Rooney talvez dê um tom quase de guilty pleasure ao leitor literário que embarca em sua narrativa.  No entanto, o livro incomoda. E, em termos literários, isso é um bom sinal. Entre os muitos elementos que nos são comuns na contemporaneidade (as mensagens de texto pelas redes, os diálogos lacônicos, as tardes passadas diante da televisão), a autora consegue pescar cenas que são alegorias pertinentes do que somos, nossa solidão e nossos problemas em nos comunicar. E o mais bonito é como Rooney consegue revestir toda essa mistura com a frágil pátina de uma história de amor confusa, mas preciosa.

The picture of Dorian Gray (Oscar Wilde)

Meu primeiro contato com Oscar Wilde foi por meio de um livro adaptado para estudantes da língua inglesa. Na época, achei "O fantasma de Canterville" uma história bem ingênua, que não me fisgou como leitora. Agora, ao entrar em contato com o grande clássico do escritor irlandês, vi que essa impressão não foi gerada por conta de uma adaptação simplista; ainda que reconheça o valor da obra, "The picture of Dorian Gray" tampouco me surpreendeu. Há elementos de valor no livro, sem dúvida. O início, com as frases marcantes de Lord Henry, é especialmente cativante. No entanto, aos poucos, as máximas desse personagem e o próprio destino de Dorian Gray se tornam um tanto repetitivos, fáceis de deduzir sem muito esforço de inferência. Talvez minha percepção seja bastante deturpada por já conhecer as adaptações desse livro ao cinema. No geral, por mais que não tenha sido uma leitura apaixonante, foi um trabalho recompensador me deparar com as alfinetadas de Oscar Wilde à soci...

Retrato do artista quando jovem (James Joyce)

Eu gosto de personagens de bom e de mau caráter - sou tão fisgada pela leitura de um atormentado Raskolnikov quanto pela de um sonhador Dom Quixote. No entanto, não me apresentem arquétipos daquele que está perdido na vida, em fuga sem saber para onde, rebelde sem causa. Não tenho paciência com Holden Caulfield e similares. Em "Retrato de um artista quando jovem", somo introduzidos em uma história de vida desde o seu começo até a juventude - em suma, um romance de formação. O modo de narrar acompanha a maturidade de Stephen Dedalus, protagonista, o que torna as páginas da infância um tanto confusas, assim como o falar de um garotinho. Ao longo da narrativa, o fluxo de consciência não é propriamente difícil de acompanhar - só é chato. O protagonista nunca sabe o que quer, e lemos páginas e páginas sobre quais as suas prioridades atuais na vida (que serão mudadas na semana seguinte). Um trecho do livro, especialmente entendiante, é quando o personagem decide se entregar com...