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Mostrando postagens com o rótulo filme norueguês

A pior pessoa do mundo (filme de 2021)

Com um conflito de gerações pulsando no centro da trama, o filme retrata as angústias de quem não sabe o que lhe faz feliz. Talvez fosse uma obra sobre autoconhecimento, mas a protagonista parece ocupada demais em mudar de paixão para refletir sobre quem realmente é. É um abismo geracional que dá nervoso - principalmente para quem valoriza estabilidade e certezas, por mais ilusórias que sejam. Contudo, como retrato dos (pós-)millenials, me pareceu bastante certeiro. Incômodo e incompreensível - como qualquer embate de gerações diferentes.

Meet the Censors (filme de 2020)

Ser norueguês talvez tenha sido um bom álibi para o diretor deste documentário, Håvard Fossum, conseguir entrevistas poderosas em países tão diversos como Índia, Irã, Alemanha, Sudão do Sul, China e Estados Unidos. Todas essas incursões pelo mundo são motivadas a entender como a censura funciona e se, em algum caso, ela poderia ser moralmente justificável. Ainda que seja organizado em blocos (cada um correspondendo a um país pelo qual o diretor passou), há uma malícia instigante no modo de dispor os recortes de entrevistas e de cenas capturadas nos diferentes locais. Pelo modo como as informações são colocadas, nos deparamos com muitas perguntas em aberto, ironias, contradições... sem que haja a necessidade de uma legenda explicativa. O efeito é o de mostrar uma direção que confia em um público inteligente, capaz de chegar a conclusões próprias pelo simples amálgama das cenas. Outro ponto fundamental para a coerência do documentário é o de não chegar a uma resposta, em momento algu...

Colette (filme de 2018)

Colette  narra a história real de uma escritora que, durante muito tempo, escreveu como ghostwriter  do próprio marido, sem receber a fama que lhe era devida. Narrativas similares têm pipocado aqui e acolá, numa tentativa de resgatar personalidades que foram apagadas em seu tempo. A figura da protagonista é bastante ousada, surpreendendo o espectador com as mudanças que sofre ao longo do enredo. No entanto, se a temática que o filme aborda é de fuga aos padrões e irreverência, o mesmo não se aplica à sua forma. É uma produção que segue uma narrativa linear, sem inovações no plano técnico (o que torna a história previsível em certos pontos). Vale como biografia de uma mulher à frente de seu tempo, mas está longe de ser um filme imperdível.

Pequena grande vida (filme de 2017)

"Pequena grande vida" é quase uma distopia, que prevê um futuro no qual a solução para os problemas econômicos e ambientais é encontrada na sua literal redução. Com uma semelhança inegável com o clássico da Sessão da Tarde - "Querida, encolhi as crianças" - este filme trabalha com um tom de maior discussão científica e ética sobre o tema. O mote é interessante, de fato suscitando muitas problemáticas: e se pudéssemos reduzir nossa pegada ecológica no meio ambiente? E se produzíssemos menos lixo? Como se formam as sociedades humanas? Para garantir o conforto de uns, é necessária a exploração dos outros? - e por aí vai. Com a mão maior do que o braço, a obra tenta alcançar um número muito grande de debates, sem se deter com maior consistência em nenhum deles. Para piorar, ainda insere uma história de amor muito da inverossímil para tentar sustentar o interesse do espectador. Enfim, uma pena que uma ideia tão boa tenha caminhado com pernas curtas.