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Mostrando postagens com o rótulo Literatura holandesa

O diário de Anne Frank - Edição definitiva

Foram poucos os professores, durante a minha vida escolar, que indicaram leituras. Assim, ainda me lembro da minha descoberta do diário de Anne, por meio da fala de uma professora de História, segundo a qual este livro era uma releitura para a vida inteira. Cumprindo seu ditado à risca, depois de duas incursões na obra durante a minha adolescência, decidi retomá-la mais uma vez - quase quinze anos depois. Anne Frank não é o registro mais representativo do que foi o Holocausto (e quem diz isso não sou eu, mas algumas sociedades judaicas de preservação da memória), já que a parte mais cruel e inominável de sua história não foi narrada. Há relatos de crianças nos campos e nos guetos que são extremamente marcados pela violência e pela desilusão. Assim, até essa minha releitura, acreditava que o furor em torno do diário de Anne estava centrado exclusivamente em nossa vontade de querer conhecer o que foi o nazismo apenas até alguns limites. Não queremos nos aprofundar demais, talvez por me...

Confetes na eira (Franca Treur)

A narrativa centra-se na vida de Katelijne, menina que vive com os pais e os seis irmãos em uma região do interior da Holanda. Ao começo, é um livro que apresenta certa dificuldade - tanto pela idade da personagem (uma pré-adolescente) quanto pelo cenário (tão distante da ideia que temos da Holanda contemporânea). No entanto, aos poucos, vamos sendo atraídos pela simplicidade pungente da trama. A relação que os personagens têm com a religião é quase que um personagem a mais na história. Membros da Igreja Calvinista, todos do povoado obedecem a rígidas regras de conduta, como ir às missas até mais que três vezes por dia. De modo sutil, a autora mostra como o excesso de moral e de crenças torna a vida da família insípida. No meio de um contexto que não favorece seu desenvolvimento, Katelijne se vê inventando histórias para tornar a vida mais interessante. Uma de suas pequenas mentiras fantasiadas leva ao final da obra que, de certa forma, é denso, trágico. E que condiz tão bem com to...