Foram poucos os professores, durante a minha vida escolar, que indicaram leituras. Assim, ainda me lembro da minha descoberta do diário de Anne, por meio da fala de uma professora de História, segundo a qual este livro era uma releitura para a vida inteira. Cumprindo seu ditado à risca, depois de duas incursões na obra durante a minha adolescência, decidi retomá-la mais uma vez - quase quinze anos depois. Anne Frank não é o registro mais representativo do que foi o Holocausto (e quem diz isso não sou eu, mas algumas sociedades judaicas de preservação da memória), já que a parte mais cruel e inominável de sua história não foi narrada. Há relatos de crianças nos campos e nos guetos que são extremamente marcados pela violência e pela desilusão. Assim, até essa minha releitura, acreditava que o furor em torno do diário de Anne estava centrado exclusivamente em nossa vontade de querer conhecer o que foi o nazismo apenas até alguns limites. Não queremos nos aprofundar demais, talvez por me...