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Mostrando postagens com o rótulo bibliofilia

Livros em chamas: a história da destruição sem fim das bibliotecas (Lucien X. Polastron)

Meu desejo de ler esta obra veio após assistir, estarrecida, ao incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro. No entanto, se o que buscava era algum consolo - ou explicação - para a destruição de nosso acervo histórico, nenhuma dessas expectativas foi atendida. E isso não se dá por falta de qualidade, muito pelo contrário: o que Lucien X. Polastron faz, ao longo de mais de 400 páginas, é construir um panorama de como as bibliotecas foram (e continuam sendo) dizimadas em função de descaso, ódio político e religioso. Ao fim da leitura, ficamos espantados pelo fato de ainda termos conservado algumas raras obras depois de tantos séculos de queima de livros. A imersão na leitura não é um processo fácil. Com uma linguagem de historiador, o autor não se preocupa em oferecer a contextualização de cada período e local que descreve. Há o pressuposto de que o leitor já conheça de antemão os muitos nomes e dados que serão oferecidos no livro para relatar os casos de destruição de bibliotecas. A...

O leitor como metáfora: o viajante, a torre e a traça (Alberto Manguel)

O livro de Alberto Manguel é um presente para os amantes de livros desde o seu título: afinal, que leitor não quer se converter no objeto mesmo da sua paixão? Vistos como metáforas, os bibliófilos tornam-se plurissignificativos e recobertos por camadas de conteúdo. Ler é um ato histórico (a designação de "Pré-História" para um tempo anterior à escrita é um exemplo icônico dessa afirmação). Na feitura de sua obra, portanto, Manguel vai além de construir uma ode de amor pela leitura: ele situa a figura do leitor em tempos diversos e sob distintos matizes. Três são as metáforas que conduzem a argumentação do bibliófilo: o leitor visto como um viajante, como uma torre e como uma traça. Seja conhecendo mundo por meio da escrita, seja isolando-se em sua torre de marfim ou devorando os papéis que lhe aparecem à frente, o leitor é sempre um mistério para aquele que não lê. Afinal, ele tem o poder de caminhar por séculos, transitar entre pensamentos e exercitar uma das formas mais b...