Meu desejo de ler esta obra veio após assistir, estarrecida, ao incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro. No entanto, se o que buscava era algum consolo - ou explicação - para a destruição de nosso acervo histórico, nenhuma dessas expectativas foi atendida. E isso não se dá por falta de qualidade, muito pelo contrário: o que Lucien X. Polastron faz, ao longo de mais de 400 páginas, é construir um panorama de como as bibliotecas foram (e continuam sendo) dizimadas em função de descaso, ódio político e religioso. Ao fim da leitura, ficamos espantados pelo fato de ainda termos conservado algumas raras obras depois de tantos séculos de queima de livros. A imersão na leitura não é um processo fácil. Com uma linguagem de historiador, o autor não se preocupa em oferecer a contextualização de cada período e local que descreve. Há o pressuposto de que o leitor já conheça de antemão os muitos nomes e dados que serão oferecidos no livro para relatar os casos de destruição de bibliotecas. A...