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Mostrando postagens com o rótulo Filme português

100 metros (filme de 2016)

Inspirado em uma história real, o filme traz como protagonista um jovem publicitário que descobre ter esclerose múltipla. Ao sentir que perderia o controle sobre seu corpo, decide testá-lo até o limite em uma prova de Iron man - em que correr 42km é apenas uma das etapas a serem cumpridas. Ramón Arroyo, em quem o filme se inspira, acompanhou a produção, mas afirma que há uma boa dose de elementos ficcionais na trama. A narração dá uma boa exagerada no sofrimento (que já é enorme) para tentar sensibilizar ainda mais a audiência. De qualquer forma, é uma boa história de superação.

Olmo e a gaivota (filme de 2015)

Alguns dos melhores filmes a que assisti neste ano (mais cinéfilo que os anteriores) foram dirigidos por mulheres: "Ataque de cães", "A teta assustada" e, agora, "Olmo e a gaivota". E a condução de uma trama fora de perspectiva usual faz toda a diferença. Dirigido pela brasileira Petra Costa (de "Democracia em vertigem" e "Elena"), o longa-metragem é um retrato intimista e, ao mesmo tempo, abrangente das questões sociais que a maternidade envolve. Tal como "A história da filha perdida", a trama tem um forte apelo anticoncepcional. Ainda que conte a história de uma gravidez por escolha, é difícil não se impactar pelas restrições e falta de liberdade durante o período da gestação. A linguagem cinematográfica de Petra é construída por reminiscências, baús de guardados dos protagonistas postos em cena. Como o casal filmado trabalha no teatro, as fronteiras entre a realidade e a fição / o drama e o documentário são ondulantes, flex...

O homem que matou D. Quixote (filme de 2018)

A figura do cavaleiro andante em cenários mais contemporâneos é uma temática que me agrada muito, especialmente no cinema. Entre exemplos que me marcaram, estão "O homem que era o super-homem", coreano, e "O sr. Kaplan", uruguaio. Em "O homem que matou D. Quixote", uma produção espanhola, também temos o elemento do estranhamento com personagens que falam em inglês quase o tempo todo. Uma das curiosidades dessa produção é o fato de ter levado quase 30 anos para ficar pronta. Talvez tanto tempo no forno seja o sucesso da obra, que é toda bem amarradinha, mesmo que essa coerência interna pareça difusa no ambiente quase carnavalesco em que se desenvolve a trama principal.  Há algo de surrealismo no longa (que me lembrou Jodorowsky), mas que se casa muito bem com o plot original do Quixote – afinal, mesmo escrito há tantos séculos, continua sendo uma das obras mais contemporâneas que temos.

Palavra e utopia (filme de 2000)

O padre Antônio Vieira foi uma das figuras mais interessantes do séc. XVII - com um poder de eloquência surpreendente, viajou pelo mundo (em uma época em que as rotas marítimas eram aventuras, muitas vezes, fadadas ao fracasso) pregando a palavra dita divina com a desenvoltura e a erudição aprendida nos clássicos. Não é de estranhar que sua história continue tendo tantas reverberações, ainda que 4 séculos depois de sua morte. Manoel de Oliveira, diretor português famoso por adaptações literárias, constrói um filme que, se é belo em algumas cenas, é também duro, quase incompreensível em outras. A narração dos fatos do longa-metragem exige, do espectador, uma certa compreensão antecipada dos fatos e das obras de Vieira. Assim, não é uma produção didática ou de apresentação, mas sim um cinema feito para iniciados na linguagem deste barroco. Ainda que facilitar um enredo possa descambar em uma superficialização da trama, acredito que Oliveira tenha perdido uma ótima oportunidade de tor...

Florbela (filme de 2012)

Florbela Espanca é uma das minhas poetas preferidas - autora do começo do século XX, é dona de uma poética provocante (ainda mais se pensarmos o que significava ser mulher e escritora nessa época). Um filme sobre a escritora seria uma homenagem mais que merecida - no entanto, há tempos não via algo tão ruim nas telas. Como diria nosso poeta Bandeira, é a vida que poderia ter sido - e não foi. Tudo o que Florbela representou em vida foi estragado, após a sua morte, nesta obra pífia. Feminismo O amor dum homem? - Terra tão pisada!  Gota de chuva ao vento baloiçada...  Um homem? - Quando eu sonho o amor dum deus!...  Como pode ser visto nos versos acima, Florbela, apesar dos muitos versos românticos escritos, sabe questionar o amor platônico como ninguém. Sua coragem, zombaria em relação ao sexo oposto é interpretado, no filme, por meio de uma personagem rasa. Feminismo é superficialmente visto como lesbianismo, adultério e amigos intelectuais boêmios. O foco da obra...