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Mostrando postagens com o rótulo filme luxemburguês

Viagem ao topo da Terra (filme de 2021)

Jiro Taniguchi é um dos meus mangakas favoritos, mas nunca havia assistido a nenhuma animação baseada em suas histórias. Viagem ao topo da Terra  me trouxe não apenas a contemplação, de que tanto gosto nas obras do autor, mas também o tema das viagens e das trilhas, que me são muito queridos. Ao contrário do que se poderia esperar usualmente de uma produção sobre escalada, este filme não está preocupado em narrar alguma aventura. Há algumas cenas de emoção e intriga, mas o que realmente importa é como se constrói o caminho. Se de um lado temos como protagonista um montanhista profissional, de outro acompanhamos o olhar de um fotógrafo desiludido e curioso. É pelas lentes desse personagem que o espectador também se torna um pouco um espião da trama, tentando entender a bela vida que lhe é retratada.   

Mary Shelley (filme de 2017)

Conheci um pouco mais detalhadamente a biografia de Mary Shelley em 2020, durante minha leitura de "Frankenstein". Assim, pude comparar alguns fatos do filme com o que já havia estudado sobre a biografada. Como obra biográfica, "Mary Shelley" é um filme que atende às expectativas. Não sei se, para quem não conheça nada sobre a vida da autora, seja um longa que consiga ser autoexplicativo. As referências à importância da mãe da protagonista - a feminista Mary Wollstonecraft - talvez não sejam captadas por alguém que desconheça essas raízes. O filme traz uma pátina feminista à narrativa, sem ser anacrônico. Além disso, acerta na escolha do cenário sombrio que permeia a obra, bem como na seleção de atores bastante convincentes nos papéis que desempenham. Além da excelente performance da protagonista, ver a atuação de um verossímil Lord Byron nas telas já compensa a experiência de assistir à produção.

Amor e revolução (filme de 2015)

Lançado quatro anos após o último filme da saga Harry Potter, é difícil não ver em "Amor e revolução" uma tentativa de Emma Watson de se firmar no papel de uma protagonista adulta - que trabalha, faz sexo, participa da revolução. Ainda que goste muito da personalidade, não consigo me envolver o suficiente com a interpretação da atriz (mesmo que os papéis que escolha sejam sempre tão carregados de potencialidades). "Amor e revolução", péssima tradução para o título original ("Colonia"), traz à tona a história de uma aeromoça que, buscando encontrar seu companheiro durante a ditadura chilena, resolve infiltrar-se em um culto religioso bastante questionável. Para quem está imerso no contexto das ditaduras latinas (e a quem o filme mais poderia interessar, portanto), é frustrante acompanhar todo o desenrolar da narrativa em inglês, com um ou dois " ¡ Viva Chile!".  Além disso, as reviravoltas da trama são bastante inverossímeis e pouco convenc...

A ganha-pão (filme de 2017)

Produção europeia (Irlanda e Luxemburgo) e canadense sobre uma temática afegã, a obra é um conjunto cultural interessante, que mescla diversos olhares sobre uma única narrativa. Aliás, talvez a própria história central não seja marcada pela unicidade, já que resgata o método narrativo das "Mil e uma noites" e mescla diversas tramas para dar seguimento ao seu fluxo de acontecimentos. Em princípio, não se trata de uma obra para crianças, pois trabalha questões de guerra e violência. No entanto, ainda que fictícias, as personagens protagonistas da história são representações de milhões de meninos e meninas do mundo, que vivenciam diariamente situações de conflitos armados e privações diversas.  No conjunto, trata-se de um longa bem dosado, que sabe tratar temáticas complexas com delicadeza, sem cair na superficialização.