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Mostrando postagens com o rótulo literatura nicaraguense

O olho da mulher (Gioconda Belli)

Depois de me apaixonar pela autobiografia de Gioconda Belli, quis ir atrás de sua produção como poeta; afinal, como a própria escritora nos conta, ela não sabe o que veio primeiro em sua vida: a poesia ou a revolução. Ler os versos de uma poeta guerrilheira e feminista teria de tudo para ser uma experiência intensa de leitura... mas não o é. O único traço que havia me incomodado na autobiografia é a temática principal de sua poesia: o amor romântico e devotado ao homem que se ama. Ainda que um ou outro poema seja mais potente (geralmente, aqueles que relacionam o elemento da água com o erotismo), no geral é um conjunto de poemas que deixa a desejar.

El país bajo mi piel (Gioconda Belli)

A autobiografia de Gioconda Belli, poeta e guerrilheira, é uma das mais provocadoras que já li. Assim, foi não só uma ótima entrada para a literatura nicaraguense (da qual nada conhecia), como para a explosiva história recente do país. E, para coroar a experiência, tudo é narrado por uma mulher com bastante consciência do seu papel de classe e de gênero. A poesia de fato de Belli (que li na sequência) não me conquistou. No entanto, o que a sua prosa tem de poético é encantador. O começo do livro é um dos melhores que já li e nos traga história adentro, sem que tenhamos vontade de parar. Além disso, os recurso de construir uma biografia sem uma sequência temporal linear é outro dos atrativos do livro, que dessa forma se apresenta como um interessante quebra-cabeça de fatos e personagens. Tudo nos cativa: as paixões da poeta, sua descoberta da poesia, a história da Nicarágua e seus personagens históricos, a linguagem sucinta e bela... Ainda que a narradora apresente suas falhas e erros, ...