Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo filme israelense

A banda (filme de 2007)

Costumo gostar demais de enredos que narram um encontro marcante – e efêmero – entre desconhecidos; sob esse aspecto, “A banda” talvez seja um dos meus filmes preferidos. Eran Kolirin, diretor israelense, escolhe como protagonista de sua história um grupo de músicos egípcios. A fusão dessas nacionalidades nas telas, apenas 3 anos antes da eclosão da Primavera Árabe, é permeada de interpretações geopolíticas. A camada de leituras históricas é apenas uma das possibilidades de leitura da trama. São os conflitos humanos mais básicos que conduzem os personagens aqui: o embate entre uma geração conservadora e a irreverência da juventude, a liberdade e a opressão da mulher, a solidão e a convivência em família, o descaso pela arte e a necessidade que temos de compartilhar cultura. É uma daquelas raras obras que conseguem dar conta do todo em pouco mais de 1 hora de filme – e nem por isso o ritmo é acelerado. De certa forma, é até um filme lento… mas na medida certa. A atmosfera mais parada, q...

A filha perdida (Elena Ferrante) + filme de 2021

Uma boneca perdida, uma criança desaparecida, os duplos entre amigas e entre mães e filhas, Leda e Nina: os elementos da mitologia de Ferrante não escapam ao livro A filha perdida . Ademais, considerando que se trata de um romance mais sucinto (menos de 200 páginas), talvez nele essas figuras características da escrita da autora brilhem com ainda mais força, forçando toda a narrativa a girar ao redor dessa constelação de alegorias. Ainda acredito preferir o livro ao filme, apesar de a adaptação realizada em 2021 ser ótima e caminhar independentemente da obra em que se baseia. Contudo, há alguns elementos que aparecem com mais força com o punho da própria autora, como as reflexões da protagonista sobre seu passado e as relações de poder intrínsecas a uma família. No filme, não há uma voz de narradora que mimetize a do livro – o que é um acerto, já que lhe confere assim mais autonomia. O que vemos retratado com os dizeres afiados de Ferrante no romance é o que capturamos pelo belo amálga...

De amor e trevas (filme de 2015)

Apesar de ter lido pouco Amós Oz, uma das suas obras me marcou profundamente: "Contra o fanatismo". Bastante curto, o livro traz um ensaio poderoso (pelo menos assim me pareceu na época), em que o escritor defende a necessidade da empatia para entendermos os outros, mesmo os que são nossos potenciais inimigos políticos. A ideia da empatia, como proposta por Oz, sempre me pareceu muito bela — até ler um contraponto defendido incisivamente pela escritora Lina Meruane, em seu "Tornar-se Palestina". Instigada pela visão da autora chilena, quis reaproximar-me de Oz, com um olhar agora já mais distanciado; resolvi fazê-lo pelo filme que narra sua infância. O longa, dirigido por Natalia Portman, realmente me impressionou. Um dos seus pontos mais fortes é contar a história do escritor com os diálogos e narração em hebraico (inclusive as cenas em que Portman participa como atriz). Além disso, a ambientação obscura — e ao mesmo tempo intimista — dá o tom proposto pelo título....