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Crowd, o guia de financiamento coletivo para autores e editores de livros (Marina Ávila e Valquíria Vlad)

A Wish é uma editora especializada em publicações de financiamento coletivo — e o faz com uma maestria encantadora. Não é diferente o caso de Crowd , obra metalinguística dentro do universo de apoios financeiros virtuais. Ricamente ilustrado, com diagramação irreverente, o livro consegue ser técnico sem ser chato. É uma aula completa e minuciosa do passo a passo para as publicações. É muito mais válido que alguns cursos que fiz por aí sobre o tema... e com o plus de ter sido elaborado por quem realmente entende do assunto e tem muito a dizer sobre ele.  

The Artful Edit: On the Practice of Editing Yourself (Susan Bell)

Com a linguagem própria dos livros-guia para escritores, o diferencial da obra é oferecer exemplos variados das técnicas que coloca em destaque. Muitas das dicas e aprendizagens relativas à autoedição são comparadas com as diferentes versões de "O Grande Gatsby", mostrando tanto a visão certeira do editor Max Perkins como a atenção para os detalhes de F. Scott Fitzgerald. Os relatos de outras pessoas — escritores, fotógrafos, artistas plásticos — são outro ponto positivo do livro, que dá voz a facetas diferentes da arte e assim se enriquece com o compartilhamento de experiências. Para quem busca um livro mais topicalizado e organizado por técnicas, a obra tampouco decepciona. Ao final de cada parte, há checklists que retomam os temas discutidos e podem ser de grande validade para quem busca respostas a questões mais práticas.

Os desafios da escrita (Roger Chartier)

Reunião de algumas palestras proferidas por Chartier na nossa Bienal de 2010, a obra é um conjunto interessante de reflexões sobre o livro e a leitura. O contexto que permeia os cinco artigos distintos que a compõem é pensar como se dá a leitura hoje - que hábitos sobreviverão e quais serão extintos com as novas materialidades do livro. Um ponto em que Chartier insiste ao longo de suas falas é que suportes diferentes causam mudanças muito mais profundas do que as que envolvem comportamentos superficiais dos leitores. Com a fragmentação do texto, a leitura por hiperlinks e imagens, o que está em questão é a própria função do livro (enquanto publicação de um texto em sua íntegra) em nossa sociedade. O último artigo da obra - Morte ou transfiguração do leitor? - torna essa questão bastante evidente. Se há uma década o autor não tinha respostas para essa intrigante questão, os avanços tecnológicos de hoje parecem tornar ainda mais complexo esse cenário.

A aventura do livro (Roger Chartier)

Publicada em 1998, é surpreendente ver o quanto esta obra do historiador francês Roger Chartier conseguiu traçar um panorama fiel da modernidade. Enquanto seu entrevistador desconfia de novas materialidades para o livro (indicando o quanto seria absurdo, por exemplo, levar um computador para a cama), Chartier já aponta para a possibilidade de uma tecnologia portátil, que permita a leitura em diferentes formatos, suportes e contextos. Além da previsão correta de futuro, é feito um interessante passeio pelos primórdios do livro. Acompanhado pelas belas imagens que ilustram a obra, o historiador vai nos mostrando o quanto a leitura é um hábito construído socialmente ao longo dos tempos. Um mimo para quem se interessa por qualquer área da editoração ou da história dos livros, a obra é de leitura rápida e fluida - mas nem por isso desprovida de vasto conteúdo.

Memória de editor (Salim Miguel & Eglê Malheiros)

Mais uma obra da coleção Memória do Livro, este pequenino volume traz uma interessante entrevista com os editores Salim Miguel e Eglê Malheiros. Um dos pontos de interesse do bate-papo é perceber como os editores se profissionalizaram botando a mão na massa; ao narrarem sua entrada no mercado, Salim e Eglê revelam o quanto os seus projetos partiram de boas ideias. Foi por meio delas que se dispuseram a aprender sobre gráficas, impressão, modos de publicação e divulgação...  O registro da conversa dá um panorama interessante de como era publicar no Brasil em plena ditadura - inclusive narrando a queima de livros e a prisão de Salim. E, quase meio século depois, a luta por divulgar a leitura continua.