Comecei a ler a biografia de Walter Isaacson sobre Da Vinci recentemente, o que me permitiu comparar seus dados acurados aos apresentados na obra de Courtney Watson. Para minha alegria, além de apresentar lindamente as obras do mestre italiano de forma tridimensional, o livro também se baseia em uma boa pesquisa histórica e se desvia de clichês preguiçosos sobre a vida do artista (como a ideia de que escrever de trás para frente fosse uma marca do gênio, e não apenas uma prática habitual dos canhotos da época, para não manchar o papel com tinta).
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...

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