Comecei a ler a biografia de Walter Isaacson sobre Da Vinci recentemente, o que me permitiu comparar seus dados acurados aos apresentados na obra de Courtney Watson. Para minha alegria, além de apresentar lindamente as obras do mestre italiano de forma tridimensional, o livro também se baseia em uma boa pesquisa histórica e se desvia de clichês preguiçosos sobre a vida do artista (como a ideia de que escrever de trás para frente fosse uma marca do gênio, e não apenas uma prática habitual dos canhotos da época, para não manchar o papel com tinta).
O personagem de cabelo azul já ganhou apelidos que o aproximam dos famosos Calvin e Mafalda. No entanto, o toque brasileiro é que faz a diferença e aproxima Armandinho de seus leitores. O garotinho, que não gosta muito da escola, mostra que a sabedoria vai muito além dos bancos da sala de aula. Desde questões políticas específicas - do Brasil ou de Santa Catarina - até piadas simples sobre assuntos cotidianos, a força das suas tirinhas reside também na versatilidade. O ponto de vista infantil nos serve de guia nesses quadrinhos, nos quais os adultos aparecem sempre retratados sob o viés da criança. Para comprovar esse fato, basta observar o traço: assim como na clássica animação dos Muppets, apenas as pernas dos personagens mais velhos são desenhadas. Se a semelhança com Mafalda está no aspecto irreverente (e nos cabelos que são marca registrada), com Calvin o parentesco vai além: em muitas das tirinhas, Armandinho aparece com seu bicho de estimação (um sapo que, inclusi...

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