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Klezmer (filme de 2015)

O Holocausto, com o passar do tempo, virou um tema de produção cultural estadunidense; por sua vez, para muitos consumidores exclusivos do american way of life, as únicas versões possíveis sobre o genocídio são retiradas de filmes geralmente comerciais, como A menina que roubava livros ou o menino do pijama listrado.

É preciso resgatar continuamente a história dos grandes crimes da humanidade, para que não se repitam; no entanto, é preciso discutir também a forma como essas tragédias são retratadas e incorporadas. No caso do extermínio judeu, não estaríamos diante de mais um caso de apropriação cultural?

Klezmer é um filme polonês que se passa durante a Segunda Guerra, mas, apesar de seu foco central ser a temática do Holocausto, ele consegue evitar todas as imagens consagradas associadas ao assunto: não há filmagens em campos de concentração, ou em ambientes de guerra, ou mesmo um único prisioneiro com a roupa listrada. Todo o enredo se passa em uma floresta, no período de um dia. Inicialmente composto de forma bastante detalhada, com muitas cenas de silêncio e mansidão, aos poucos o longa vai ganhando ritmo. Quando chegamos às últimas cenas, os fatos já se sucedem em velocidade acelerada, causando um forte impacto no espectador. 

É uma obra que traz um olhar bastante inusual sobre o Holocausto, sem deixar de ser enfática no seu ponto de vista antinazista. Afinal, não é com clichês que se constrói uma boa história.





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