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Radioactive (Lauren Redniss) + filme de 2019

Talvez Radioactive seja a minha biografia favorita – o que não é de se estranhar, uma vez que Marie Curie é uma das personalidades que considero mais instigantes e inspiradoras. Contudo, a grandiosidade da obra não se atrela unicamente à relevância das vidas biografadas, mas principalmente ao jeito único que Lauren Redniss tem de contar uma história.

As próprias ilustrações da autora causam um certo estranhamento inicial: não se trata aqui, portanto, de fazer uma obra esteticamente bela sobre a vida dos Curie. A ambiguidade da descoberta do rádio e do polônio – ora salvadores, ora arrasadores – perpassa cada página da obra, que não se oferece de maneira simples ao seu leitor. É uma beleza que precisa de esforço para ser vista.

Além disso, o que me encanta na narrativa construída em torno da vida de ambos os personagens (porque esta é também uma biografia de Pierre, por mais que nosso interesse orbite principalmente em torno de Marie) é a costura de diferentes elementos para erguer uma existência. Há uma espécie de rastreio do efeito borboleta, indicando como atitudes pequenas tomadas pelos Curie impactaram a história de outras famílias e mesmo o rumo da política mundial.

Marjane Sartrapi, autora de Persépolis, é a diretora do filme que se inspira nesta biografia em forma de livro ilustrado. Há também a amálgama de diversos elementos ao longo da produção, mas não de forma tão inovadora quanto a do livro. O filme segue uma narrativa mais linear e palatável ao espectador – assim, mesmo que se trate de uma adaptação interessante, nos faz pensar se está à altura dos seus biografados.



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