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Escola de tradutores (Paulo Rónai)

Publicado no anos 1950, quando os estudos de tradução no Brasil e no mundo ainda lutavam pelo status de campo teórico, "Escola de tradutores" é um livro que revela a sensibilidade aguçada de Paulo Rónai, profissional de extrema competência e homem que viveu dividido entre terras e linguagens.

Com acréscimos de artigos e revisões por quase 4 décadas, a obra é um bom espelho do apuro técnico e edição sistemática de seu autor. Ainda que algumas reflexões sejam bastante datadas, é muito interessante ver o quanto Rónai já antecipa fatos que só ocorreriam meio século depois - como o avanço da tradução automática, a profissionalização do tradutor, a necessidade cada vez maior de usar tradução em um mundo de fronteiras fluidas.

Para além dessas questões, o que mais encanta no livro é a sensibilidade impressionante de seu autor. No texto mais tocante do conjunto, ele nos conta, por exemplo, como teve de traduzir (a mando da censura do governo) a carta em que seus parentes relatavam a morte de seu pai na Hungria. É um dos relatos de vida e de profissão mais impressionantes que já li - só por ele, já valeria toda a obra. E, para a nossa sorte, ela é ainda mais do que isso.



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