Tenho paixão por livros enciclopédicos, que só aumenta quando o tema abordado é tradução – ou, melhor dizendo, a intraduzibilidade. Belamente ilustrado e com uma seleção interessante de termos que não encontram correspondentes exatos em outras línguas, a obra de Ella Frances é um deleite. Cada pedaço da publicação é pensada de um jeito inventivo e atraente para o leitor. Poucas passagens escaparam imunes ao meu marca-texto durante a leitura; até a página de expediente e ficha catalográfica traz brincadeiras divertidas com a linguagem e com a flexibilidade das palavras.
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...

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