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Lágrimas de oro (Alejandro Jodorowsky)

Da produção multissemiótica do chileno Alejandro Jodorowsky, só conhecia o filme "Poesia sem fim" - uma obra que adorei, mas que me perturba. A faceta de cineasta surrealista também aparece nos cinco contos que compõem esta coletânea. Com uma síntese elaborada, as histórias quase se assemelham a parábolas, temperadas pelo absurdo e pelo onírico.

Eloísa e os bichos (Jairo Buitrago / Rafael Yockteng)

Temas: imigração, medo do desconhecido, dificuldade em adaptar-se. Do que mais gostei: é ótima a ideia dos insetos gigantes simbolizando nossos medos. E o lado B dessa história: como também podemos apavorar quem se sente diferente.

Rio, o cão preto (Suzy Lee)

T emas: abandono, responsabilidade, amizade, saudade, perda. Do que mais gostei: as ilustrações são lindas e dão o tom certo para uma história que trabalha a importância de conviver bem com nossos bichinhos.

Casa de passarinho (Odilon Moraes)

Temas: curiosidade, criação de hipóteses, natureza, pássaros. Do que mais gostei: é a soma de várias perguntas de crianças diante de uma casa de passarinhos, mas sem se preocupar com respostas.

Rosa (Odilon Moraes)

Temas: Guimarães Rosa, A terceira margem do rio, ser pai e ser filho. Do que mais gostei: é quase tão enigmático quanto uma terceira margem, quase tão calado quanto o pai que passa a vida na canoa. É pouquíssimo texto a emoldurar as ilustrações, mas com tantas possibilidades de leitura.

Sagatrissuinorana (João Luiz Guimarães / Nelson Cruz)

Temas: Guimarães Rosa, Os três porquinhos, desastres ambientais de Mariana e Brumadinho. Do que mais gostei: me emociono a cada vez que releio. Não é à toa que ganhou o Jabuti do ano passado - parece livrinho, mas é um tremendo livrão. Para mim, é a prova inegável de como o livro ilustrado pode ser literatura da mais alta qualidade.

Samira e os esqueletos (Kristin Lie Garrubo)

Temas: corpo humano (esqueleto e músculos), igualdade, humor e terrorzinho infantil. Do que mais gostei: é MUITO divertido. A cada releitura percebia um detalhe no texto ou nas ilustrações que me fazia rir ainda mais. Além disso, tem protagonismo negro mas não é um livro (só) sobre igualdade racial.