Clássico sempre comentado nos cursos de Letras, sempre acreditei que Madame Bovary era a história de uma mulher fútil, iludida por romances água-com-açúcar, que resolve trair o marido em busca de um amor como o dos livros. No entanto, gostei da obra de Flaubert porque percebi que ela é muito mais do que isso: trata-se de um livro irônico, que tem como principal crítica a eterna insatisfação humana, a constante busca por mais posses, títulos, fama.
Ao contrário do que é estereotipado, Ema Bovary não é uma tola; apesar de suas eternas ambições insatisfeitas, ela é muito mais astuta que o marido, este sim a figura do vulgar "corno manso". O sr. Bovary é de uma vanidade terrível, um personagem não só sem malícia, mas também sem graça, sem cor.
O farmacêutico Homais é, por sua vez, o homem bajulador e aproveitador, sempre em busca de condecorações e fama. Nesse mosaico de personagens falhos, fracos, cheios de defeitos, o escritor desenha sua crítica social, que se estende a todos, dada que universal.
Trecho:
"ninguém pode jamais dar medida exata às próprias necessidades, concepções ou dores, já que a palavra humana é como um caldeirão fendido".

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