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Mary Poppins (P.L. Travers - livro) e filme de 1964

O livro infantil da australiana P. L. Travers, publicado em 1934, é, aparentemente, muito mais moderno do que a sua versão para as telas do cinema, produzida 30 anos depois. Ao menos na primeira obra (a série completa possui oito livros), a ideia é bastante original e até um pouco à frente de seu tempo: a figura de Mary Poppins é inovadora e ousada, com uma leve dose de cinismo.




O que mais encanta na leitura (e que se perde na adaptação) é o mau humor de Mary Poppins, seu ar esnobe e sabichão ao assumir o cargo de babá de quatro crianças em uma família de classe média inglesa. A protagonista foge do estereótipo de babá adorável para incorporar quase a figura de um Chapeleiro Maluco - com o pé fora da realidade e nenhuma papa na língua.

O filme conta com muitos elementos de encanto para as crianças: coreografias, jogos de palavras, brincadeiras com sons e músicas, além de muitas cores (em uma época em que o technicolor ainda era um atrativo forte). O que me incomodou, particularmente, foi a redução de uma personagem tão complexa para uma protagonista carismática e sem muito mistério. Muitos personagens são fortemente estereotipados, dentre os quais se destaca a mãe das crianças, que não teria tempo de cuidar de seus filhos por ser feminista. É um filme padrão Disney para pregar os valores convencionais - ainda que seja bem-feitinho, não chega aos pés do livro.





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