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Vênus (filme de 2006)

A maior obscenidade contemporânea não é, de modo algum, relacionada ao sexo. Pelo contrário: o que mais nos choca não é a vida em sua efervescência, mas em seu declínio. Poucos temas incomodam mais do que a velhice - ainda que seja uma maturidade plenamente vivida, como é o caso dos protagonistas deste filme. 

O contraste entre um protagonista idoso e uma personagem bastante jovial é outro aspecto que corrobora o tom de estranhamento que "Vênus" causa. Ainda assim, aos poucos é possível perceber que o objetivo não é o de narrar uma nova Lolita, mas sim de opor dois polos da vida. De um lado, o ator com uma carreira consolidada, apreciador da arte e consciente do fim próximo; de outro, uma menina inconsequente, sem vínculos ou amores mais profundos pela cultura que a cerca.

Tendo como fio condutor a obra "Vênus no espelho", de Velázquez, o longa trabalha com a ideia de autoconhecimento - seja das potencialidades do próprio corpo, seja da descoberta da Arte enquanto meio de expressão. O tom utilizado para narrar essas histórias é bastante delicado, com traços que vão do humor à tragédia - mimético em relação à nossa vida, portanto.





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