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A resistência (Julián Fuks)

Resistência literária, política, metalinguística, psicológica, familiar - enquanto passeia pelas diversas possibilidades de uso do substantivo, a obra homônima vai tecendo uma narrativa extremamente poética, dessas de capturar o leitor para dentro de sua teia de palavras.

O autor-narrador do livro (difícil precisar os limites em uma autoficção) tem como tema central sua relação com o irmão adotivo. Mesmo ao estabelecer esse mote, seus questionamentos sobre uma situação específica se ampliam, abrangendo a todos nós: afinal, quem é que não lida com uma falta primordial, com a ausência de respostas em relação à própria origem?

O tom de poesia da história pode parecer inverossímil em certos momentos; no entanto, o próprio autor mostra suas possíveis falhas em diálogos metalinguísticos com os primeiros leitores do romance. É como se a própria obra trouxesse seu contra-argumento, além de apontar para uma falha conceitual que, ao fim e ao cabo, diz respeito às tênues margens entre a realidade e a ficção: como o irmão, principal protagonista, sente-se como personagem?

Literatura contemporânea que não se rende a modismos, "A resistência" é um romance potente, que abre-se a diversos questionamentos e reflexões. Além disso, vigora com um estilo límpido, cativante para o leitor.



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