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Roma (filme de 2018)

Os primeiros minutos de "Roma", em que assistimos à sequência de alguns dos créditos do filme, já dizem muito do que o espectador pode esperar dessa obra: é um longa que resgata características de um cinema mais antigo (tal como vemos na exposição antecipada dos nomes dos envolvidos na produção e na escolha pelo preto e branco), com uma incrível fotografia e sequências inusitadas de imagens (como o avião espelhado na poça de água do chão recém-lavado). Seguindo com a metáfora da cena da aeronave, é também um filme que trabalhará, com sensibilidade, contrastes tão profundos como o céu e o rés-do-chão. E, por fim, é uma obra muito mais contemplativa do que a que estamos acostumados a assistir atualmente.

Dito isso, é preciso ressaltar que o longa talvez peque em alguns pontos. Apesar de ser uma obra relativamente longa (mais de 2 horas), não há um interesse genuíno em explicar o contexto da protagonista. Uma vez que o panorama exibido é o do México dos anos 1970, um aprofundamento histórico poderia tornar mais marcantes os muitos temas sociais que o filme aborda. Mesmo que o foco principal seja retratar uma protagonista sem voz, não há muita justificativa para o apagamento histórico. Pelo contrário: a personagem - indígena, empregada doméstica e babá, em uma relação de espelhamento e oposição à patroa -, é nada mais do que fruto do seu contexto.






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