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Coringa (filme de 2019)

Há tempos não me interesso por filmes de super-heróis; até tentei dar uma chance ao ganhador do Oscar, mas só aguentei meia hora de exibição do premiado Pantera Negra. Mesmo quando aborda pautas que vão além da glorificação dos Estados Unidos - como o empoderamento da Viúva Negra ou as causas raciais do Pantera -, elas servem apenas de leve maquiagem para o enfoque principal: um mundo de vilões e mocinhos bem definidos, com necessidades individualistas que precisam ser preenchidas para garantir o funcionamento da máquina mercantil.

Nesse contexto de obras repetitivas em sua abordagem, "Coringa" faz a diferença. Por ser um filme que traz apenas o vilão da história - e que, de certa forma, procura humanizá-lo -, leva o espectador a refletir sobre os novos valores morais com que se defronta durante o longa. Por não ser precisa nos contornos que separam o bom do mau, a produção nos leva a questionar quais são as causas pelas quais é digno (ou necessário) lutar.

Ainda que o filme seja considerado um gatilho para várias perturbações sociais, isso não o torna uma obra menor (ao contrário do que fazem os vários gatilhos nacionalistas presentes em um Capitão América).  E, de quebra, a atuação de Joaquim Phenix já é um atrativo per se para se render ao filme.




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