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Romancista como vocação (Haruki Murakami)

Gosto do estilo fluido de Murakami, que supera as inverossimilhanças e descrições supérfluas que encontramos ao longo de sua obra. Ainda que o considere mais um autor de entretenimento do que produtor de uma literatura complexa, acabo me rendendo à leitura de seus livros quase todo ano. Seu jeito de compor a narrativa faz que ela seja rapidamente absorvida, criando um vínculo prazeroso entre autor e receptor.

Do conjunto da produção, o livro de que menos gostei foi justamente este "Romancista como vocação". Esperava encontrar neste pequeno livro algumas das reflexões pertinentes com que havia me deparado no excelente "Do que falo quando falo de corrida"; no entanto, ao retomar pensamentos sobre sua carreira literária, aqui vemos um Murakami mais amargurado, irônico, tentando disfarçar sarcasmo com um pretenso tom de impassibilidade.

Questões como a eterna indicação ao prêmio Nobel são trazidas à tona, com um desprezo mal escondido em relação aos críticos. O que escapa do recalque é a última parte da obra, em que o autor trabalha a questão da educação escolar - e o quanto ela não ajuda a desenvolver a criatividade. Mesmo longe do campo pedagógico, as reflexões de Murakami sobre o sistema escolar, ainda que superficiais, fazem valer esta leitura (apesar de tantos pesares).


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