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Veinte poemas para ser leídos en el tranvía (Oliverio Girondo)

Havia acabado de assistir a um filme com estética surrealista ("A espuma dos dias") quando me peguei pensando que talvez, até então, não houvesse lido nenhum livro que seguisse à fluida lógica dos sonhos característica dessa escola. Ao repensar com mais calma, vejo que há exceções - como Macunaíma, talvez -, mas não deixou de ser uma feliz coincidência topar com esse livro de poemas de Oliverio Girondo logo na sequência.

A seleção dos poemas é irreverente desde o título - que lhe propõe uma finalidade prática, afim com a modernização de Buenos Aires no início do século passado. A ideia do bonde também remete aos percursos que o poeta faz, ainda que por outras vias - afinal, boa parte dos textos trabalha o tema da viagem, do deslocar-se pelo mundo. Assim, eles funcionam quase como cartões-postais remetidos pelo poeta.

Girondo cria imagens inusitadas e símiles tremendos - com construções como a do mar com epilepsia e a da teia de aranha dos arames farpados -, que fazem da leitura uma vivência rica.


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