O filme nos permite o prazer do olhar do ornitófilo, mas sem sair do sofá. Levando o espectador para as florestas da Guiné e do Panamá (dentre outros cenários tropicais), o documentário revela esplendores da vida animal. Muito mais do que pássaros bonitos, o que surpreende é a versatilidade da natureza – há desde aves que imitam crianças brincando até as que constroem obras de engenharia megalomaníacas para conquistar a parceira. Ao ver rituais de acasalamento tão cênicos, é difícil não pensar que o conceito de arte vai muito além do que é humano.
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...
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