Transcrição das aulas de Cortázar na Universidade de Berkeley nos anos 1980, o livro traz bastante do autor comentando a própria obra, explicando seu processo criativo e os fundamentos que norteiam sua literatura. No entanto, longe de ser um curso autocentrado, as palestras de Cortázar usam seus próprios escritos como exemplos de características mais amplas da produção literária (especialmente a latino-americana).
Assim, o livro transita por diferentes temas, como a definição (sempre inconclusa) de realismo e fantástico, o tempo e a fatalidade na trama, a musicalidade, o lúdico, o erótico e o humor na escrita. Por ser um escritor bastante engajado contra a ditadura e entusiasta do governo de Fidel, hoje já não é possível ler as aulas de Cortázar sem passá-las pelo filtro temporal que nos distancia da década de 1980. Ainda assim, no que se refere às técnicas e problematização da composição literária, continua uma obra muito atual.
O personagem de cabelo azul já ganhou apelidos que o aproximam dos famosos Calvin e Mafalda. No entanto, o toque brasileiro é que faz a diferença e aproxima Armandinho de seus leitores. O garotinho, que não gosta muito da escola, mostra que a sabedoria vai muito além dos bancos da sala de aula. Desde questões políticas específicas - do Brasil ou de Santa Catarina - até piadas simples sobre assuntos cotidianos, a força das suas tirinhas reside também na versatilidade. O ponto de vista infantil nos serve de guia nesses quadrinhos, nos quais os adultos aparecem sempre retratados sob o viés da criança. Para comprovar esse fato, basta observar o traço: assim como na clássica animação dos Muppets, apenas as pernas dos personagens mais velhos são desenhadas. Se a semelhança com Mafalda está no aspecto irreverente (e nos cabelos que são marca registrada), com Calvin o parentesco vai além: em muitas das tirinhas, Armandinho aparece com seu bicho de estimação (um sapo que, inclusi...

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