Transcrição das aulas de Cortázar na Universidade de Berkeley nos anos 1980, o livro traz bastante do autor comentando a própria obra, explicando seu processo criativo e os fundamentos que norteiam sua literatura. No entanto, longe de ser um curso autocentrado, as palestras de Cortázar usam seus próprios escritos como exemplos de características mais amplas da produção literária (especialmente a latino-americana).
Assim, o livro transita por diferentes temas, como a definição (sempre inconclusa) de realismo e fantástico, o tempo e a fatalidade na trama, a musicalidade, o lúdico, o erótico e o humor na escrita. Por ser um escritor bastante engajado contra a ditadura e entusiasta do governo de Fidel, hoje já não é possível ler as aulas de Cortázar sem passá-las pelo filtro temporal que nos distancia da década de 1980. Ainda assim, no que se refere às técnicas e problematização da composição literária, continua uma obra muito atual.
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...

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