Pular para o conteúdo principal

Os monólogos da vagina (Eve Ensler)

Publicado em 1996, Os monólogos da vagina é extremamente atual. Não há discrepâncias aparentes entre o que era reivindicado então e as pautas feministas mais contemporâneas. Além disso, na edição comemorativa, temos acesso a textos extras escritos posteriormente, e que lidam com temas ainda mais pungentes em nossa época.

O miolo em si, a parte que corresponde a seu lançamento original, foi a que mais me surpreendeu. A vontade que dá é de ler a peça em voz alta, proclamar suas falas para quem ainda se recusa a ouvir.

Contudo, a sequência de textos da edição comemorativa cansa um pouco. Imagino que se trate de uma coletânea de várias intervenções feitas posteriormente, mas que não são encenadas em uma mesma noite na apresentação teatral. Por terem um estilo bastante parecido, criam a impressão de um poema demasiadamente longo quando lidas de forma encavalada.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Armandinho 1, 2 e 3 (Alexandre Beck)

O personagem de cabelo azul já ganhou apelidos que o aproximam dos famosos Calvin e Mafalda. No entanto, o toque brasileiro é que faz a diferença e aproxima Armandinho de seus leitores. O garotinho, que não gosta muito da escola, mostra que a sabedoria vai muito além dos bancos da sala de aula. Desde questões políticas específicas - do Brasil ou de Santa Catarina - até piadas simples sobre assuntos cotidianos, a força das suas tirinhas reside também na versatilidade. O ponto de vista infantil nos serve de guia nesses quadrinhos, nos quais os adultos aparecem sempre retratados sob o viés da criança. Para comprovar esse fato, basta observar o traço: assim como na clássica animação dos Muppets, apenas as pernas dos personagens mais velhos são desenhadas. Se a semelhança com Mafalda está no aspecto irreverente (e nos cabelos que são marca registrada), com Calvin o parentesco vai além: em muitas das tirinhas, Armandinho aparece com seu bicho de estimação (um sapo que, inclusi...

Livre (Cheryl Strayed)

O que me interessou neste livro, com capa de autoajuda ("Uma história de superação") foi apenas seu tema: uma viagem no estilo mochileira que se tornou tão famosa a ponto de virar filme neste ano, com Reese Witherspoon no papel principal. Iniciei a leitura por curiosidade, mas pronta para largar o livro no primeiro capítulo, caso ele se mostrasse uma história mal construída. No entanto, best sellers podem sim esconder um conteúdo maravilhoso, com uma trama bem articulada e enredo cativante. Assim que iniciei a leitura de "Livre", me senti presa à história, que vai muito além da descrição da longa caminhada pela Pacific Crest Trail.  A autora, antes de nos apresentar sua jornada, explica os motivos que a levaram a caminhar por três meses sozinha ao longo de florestas, campos, neve, desertos. A análise madura que faz de sua própria vida, focando o vazio que causou a perda de sua mãe, é comovente. Suas dificuldades imensas ao longo da trilha (uma mochila que mal ...

Cartas a um jovem poeta (Rainer Maria Rilke)

Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...