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Um dia, um rio (André Neves e Leo Cunha)

Meu contato com a literatura infantil não se encerrou na infância; há algo do universo do livro ilustrado e do livro para crianças que continuamente me cativou. No entanto, nem sempre tive um bom olhar para percorrer com paciência as páginas dessas publicações – ao reler muitas das minhas resenhas sobre literatura infantojuvenil, reparo na minha pressa ao me defrontar com livros que, apesar do aparente pequeno tamanho, exigem uma atenção concentrada de seu leitor.

Um dia, um rio foi uma obra que me emocionou, há dois anos – antes ainda do desastre de Brumadinho. E agora, com um novo caso de rompimento de barragem em Minas, suas palavras ganham um tom quase profético. Não é à toa que o grande vencedor do Jabuti deste ano (Sagatrissuinorana) retoma o mesmo tema usando também a linguagem do livro ilustrado.

Hoje, meu olhar percorre com mais vagar cada imagem da obra. Vejo as cores a invadirem as páginas, o rio de sangue que se forma aos poucos, o menino soterrado que pede ajuda em sua capa. É um pequeno livro – e que só cresce, a cada releitura.









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