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Winnie-the-Pooh e The House at Pooh Corner (A. A. Milne) + filme de 1977

Eu não gostava nem um pouco do Ursinho Pooh quando pequena e vi que essa é uma impressão comum para quem assistiu aos desenhos do personagem. Mas que esse desgosto inicial não seja empecilho para a leitura: o livro é excelente, extremamente divertido. O que existe na obra original e que não conseguiu ser transposto para a tela é o tom brincalhão do narrador, a inserção de sutilezas graciosas a cada frase. O primeiro livro, especialmente, é de ler o tempo inteiro com um sorriso de canto na boca (isso quando não rindo alto).

São vários os temas importantes que a obra abarca: a aquisição da linguagem, a alfabetização, os primeiros passos no mundo escolar... e tudo isso é tratado com leveza, mas de forma certeira.

O segundo livro da coleção é quase tão bom quanto o primeiro. Seu maior mérito é o surgimento do personagem Tigrão, que talvez seja o mais carismático de toda a turma. 

No entanto, é neste volume também que Bisonho deixa de ser um inocente azarado para se parecer demais com gente de baixa autoestima e com muita pena de si mesma - é uma caricatura tão real que é difícil não se irritar com ela.

O filme de 1977 suaviza alguns aspectos da história original (como a arma que o menino Cristóvão carregava para cima e para baixo), mas seu principal defeito é abrir mão do jogo de ambiguidades proposto pelo livro. 

De cara, o filme anuncia que tudo é uma ficção, um sonho de criança - já no livro, em nenhum momento há a separação do real e do imaginário. Eles convivem harmoniosamente no mesmo mundo, em um rico jogo de duplos e de camadas narrativas.













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