Pular para o conteúdo principal

Os 3 idiotas (filme de 2009)

"Os 3 idiotas" conta a aventura de 2 amigos que saem em busca de Rancho, um ex-colega de escola. Durante o enredo, a história de amizade dos 3 idiotas é reconstruída através de flasbacks, e aos poucos vamos entendendo o motivo da procura de Rancho, personagem incrivelmente cativante. Difícil rotular este filme como comédia ou qualquer outro gênero. 

Assim como a vida, os filmes dirigidos por Aamir Khan são multifacetados: passamos do riso ao choro durante uma mesma cena. Na mistura de gêneros em uma mesma obra, contamos também com a participação de pequenos clipes musicais, que são bem construídos e intrinsecamente relacionados não só ao enredo principal como à própria cultura indiana. 

Colorido, agradável, triste, profundo, leve, divertido, emocionante - todos esses adjetivos se aplicam à obra, que consegue agradar mantendo suas características próprias. O cinema de Bollywood surpreende pela sua qualidade e por sua resistência a ser apenas uma cópia oriental do cinema norte-americano. Marcado pela tradição e pela cultura da Índia, o filme consegue ser uma lição universal sem ter de se deslocar do seu local de origem. Uma obra com potencial para nos divertir, entreter e ensinar - as considerações sobre o sistema de ensino e sobre a alta taxa de suicídio entre jovens são muito bem desenvolvidas e articuladas à história principal. Um filme diferente... e, por isso mesmo, com possibilidade de agradar a gregos e troianos.

Nota de rodapé: desta última vez, duas cenas me incomodaram no filme. A primeira é uma brincadeira com estupro em uma sala repleta de homens. A segunda é fazer graça com doença e paralisia.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cartas a um jovem poeta (Rainer Maria Rilke)

Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...

Armandinho 1, 2 e 3 (Alexandre Beck)

O personagem de cabelo azul já ganhou apelidos que o aproximam dos famosos Calvin e Mafalda. No entanto, o toque brasileiro é que faz a diferença e aproxima Armandinho de seus leitores. O garotinho, que não gosta muito da escola, mostra que a sabedoria vai muito além dos bancos da sala de aula. Desde questões políticas específicas - do Brasil ou de Santa Catarina - até piadas simples sobre assuntos cotidianos, a força das suas tirinhas reside também na versatilidade. O ponto de vista infantil nos serve de guia nesses quadrinhos, nos quais os adultos aparecem sempre retratados sob o viés da criança. Para comprovar esse fato, basta observar o traço: assim como na clássica animação dos Muppets, apenas as pernas dos personagens mais velhos são desenhadas. Se a semelhança com Mafalda está no aspecto irreverente (e nos cabelos que são marca registrada), com Calvin o parentesco vai além: em muitas das tirinhas, Armandinho aparece com seu bicho de estimação (um sapo que, inclusi...

Momo e o senhor do tempo (Michael Ende)

Michael Ende é o autor alemão de "Uma história sem fim", um enredo mágico que foi adaptado para os cinemas e ganhou uma grande legião de fãs nos anos 80 e 90. Vasculhando sua bibliografia, descobrimos que o sucesso da narrativa de Atreyu não é isolado: seu criador é um grande contador de histórias, daquelas que realmente não merecem ter fim. A garota Momo, protagonista desta trama, é um ícone da inocência que não deve ser perdida na infância - ela sabe viver seu tempo, sem se submeter às regras dos adultos (sempre tão atarefados). Seus conhecimentos não vêm da escola, mas dos ensinamentos da comunidade e da natureza; seu grande atrativo é ter o dom de escutar em um mundo em que ninguém quer se ouvir. E é com essas qualidades, tão naturais e simples, que a menina enfrenta as tramoias elaboradas pelos ladrões do tempo. Apesar do cenário fantástico e da linguagem acessível, o melhor interlocutor para esta narrativa é o adulto - principalmente aquele que já tem fi...