Pular para o conteúdo principal

Nascidos em bordéis (documentário de 2004)

De maneira geral, o cinema indiano me atrai muito: a descoberta de algumas produções desse país abriu minha mente para os filmes asiáticos e me rendeu boas surpresas. No entanto, até então meu conhecimento nesse campo abrangia apenas os romances de Bollywood; "Nascidos em bordéis" foi minha primeira experiência com documentários indianos.




Sabem aqueles filmes americanos (clássicos de Sessão da Tarde) em que um professor revoluciona a vida de seus alunos? Se essas produções clichês já são emocionantes, preparem a caixa de lenços de papel para assistir a esse relato: por meio de aulas sobre fotografia, uma educadora consegue mudar profundamente a vida das crianças com quem convive. E, por ser real (e não uma representação estrelada pela Michelle Pfeiffer) é ainda mais emocionante.




A comunidade em que Zana (produtora do filme) trabalha é conhecida como a zona vermelha da cidade de Calcutá. Lugar de prostituição, drogas e muita violência, no qual parece não haver esperanças para os pequenos. As meninas são encaminhadas pelas próprias mães à prostituição e os meninos, que trabalham desde cedo, também sabem que seu futuro está perdido.




Apesar dos inúmeros problemas que tem de enfrentar (resistência das famílias, que, por vezes, preferem explorar os menores; falta de auxílio governamental; excesso de burocracia; preconceito etc.), é comovente ver o esforço de Zana para tentar interferir nessa realidade, aparentemente cristalizada. Os resultados que alcança não são ideais, nem definitivos; mas, nesse documentário, podemos ver o quanto a vontade de querer mudar é poderosa - e como pode ser revolucionária.





Trechos:

"É preciso aceitar que a vida é triste e dolorosa. Só isso." (Tapasi, 10 anos)
“Não há uma coisa chamada esperança no meu futuro.” (Avijit, 13 anos)
"Meu pai tentou me vender. Eu tenho medo de me transformar em uma prostituta." (Kochi, 10 anos)
"Eu gostaria que minha amiga Puja crescesse longe daqui, porque quando ela crescer acabará indo para as ruas, usando drogas e roubando o dinheiro das pessoas." (Gour, 14 anos)

Como estão as crianças hoje:

Comentários

  1. O problema se inicia,quando as crianças completam 08 anos.Nesta exata idade,o governo indiano para de ajudar com o auxilio,que a ONU havia conseguido para com este.A saída fica clara,para as meninas :só resta entrarem para o sortido e repuginante mundo da prostituição,seus primeiros clientes são hindus de 40 anos para cima,que buscam,poderem fazer com estas inocentes crianças,o que suas mulheres não fazem em casa,não só hindus mas homens acostumados a pedofilia que em geral visitam o pais em busca deste objetivo.Estas meninas ,usam o dinheiro ,para se alimentarem e na compra de maquiagens a fim de atraírem mais clientes.No caso de engravidarem,ao contarem para o pai da criança,esta manda abortarem pois nunca irão assumir,o filho.Muitos destes abortos ,são realizados em clinicas clandestinas e a esterilidades ,morte ,transmissão de DSTS,dentre outros problemas.Já aos meninas resta ,unirem -se a alguma ganhe de venda e trafico de drogas.Parece ser o local,ideal para criminosos,pois a policia local,cobra propina dos traficantes e usuários de drogas a fim de fazerem vista grossa para a situação decorrente.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Cartas a um jovem poeta (Rainer Maria Rilke)

Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...

Armandinho 1, 2 e 3 (Alexandre Beck)

O personagem de cabelo azul já ganhou apelidos que o aproximam dos famosos Calvin e Mafalda. No entanto, o toque brasileiro é que faz a diferença e aproxima Armandinho de seus leitores. O garotinho, que não gosta muito da escola, mostra que a sabedoria vai muito além dos bancos da sala de aula. Desde questões políticas específicas - do Brasil ou de Santa Catarina - até piadas simples sobre assuntos cotidianos, a força das suas tirinhas reside também na versatilidade. O ponto de vista infantil nos serve de guia nesses quadrinhos, nos quais os adultos aparecem sempre retratados sob o viés da criança. Para comprovar esse fato, basta observar o traço: assim como na clássica animação dos Muppets, apenas as pernas dos personagens mais velhos são desenhadas. Se a semelhança com Mafalda está no aspecto irreverente (e nos cabelos que são marca registrada), com Calvin o parentesco vai além: em muitas das tirinhas, Armandinho aparece com seu bicho de estimação (um sapo que, inclusi...

Momo e o senhor do tempo (Michael Ende)

Michael Ende é o autor alemão de "Uma história sem fim", um enredo mágico que foi adaptado para os cinemas e ganhou uma grande legião de fãs nos anos 80 e 90. Vasculhando sua bibliografia, descobrimos que o sucesso da narrativa de Atreyu não é isolado: seu criador é um grande contador de histórias, daquelas que realmente não merecem ter fim. A garota Momo, protagonista desta trama, é um ícone da inocência que não deve ser perdida na infância - ela sabe viver seu tempo, sem se submeter às regras dos adultos (sempre tão atarefados). Seus conhecimentos não vêm da escola, mas dos ensinamentos da comunidade e da natureza; seu grande atrativo é ter o dom de escutar em um mundo em que ninguém quer se ouvir. E é com essas qualidades, tão naturais e simples, que a menina enfrenta as tramoias elaboradas pelos ladrões do tempo. Apesar do cenário fantástico e da linguagem acessível, o melhor interlocutor para esta narrativa é o adulto - principalmente aquele que já tem fi...