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A intérprete (filme de 2005)

Busquei o filme pela questão da linguagem, presente no título, e acabei atraída pelo suspense da narrativa. A trama é um tanto complexa, com muitos detalhes e reviravoltas que acabam captando a atenção plena do espectador, o qual, ao deixar escapar alguma cena, pode perder por completo o significado do enredo - assim como em uma tradução.

A trama gira em torno das relações da intérprete da ONU, Silvia, com o país africano fictício Matobo. Além de ser uma das poucas tradutoras da língua oficial, o ku, a personagem tem uma história de amor e ódio muito grande com esta nação, na qual viveu boa parte de sua juventude.

O enredo do filme tem sim as suas falhas e um tanto de inverossimilhança em alguns aspectos. No entanto, é tão raro ver uma produção estadunidense sobre a África que não torne os brancos os heróis da vez que esta obra acabou atraindo minha atenção. Apesar de ser um lugar fictício, Matobo apresenta muitos dos problemas de nações africanas, e o filme sabe expô-los sem romantizar; por exemplo, apesar de se passar na ONU, a obra mostra um pouco de todas as variáveis presentes em uma decisão geopolítica, que vão muito além do desejo de "ajudar" as pátrias vulneráveis.

A questão da tradução, ainda que minimamente trabalhada, também me atraiu a atenção. Os poucos comentários que Silvia faz sobre o seu cargo de intérprete são certeiros.

Quem não se interessa pelos dois pontos que assinalei (linguagem/história da África) talvez ache o filme um suspense fraco. Não é incrível, mas para mim valeu o investimento de tempo.





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